quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cordilheira

O romance faz parte da coleção da "Amores Expressos" da Companhia das Letras, comprometida em publicar livros cujas narrativas são escritas após os autores viajarem à determinada cidade em busca de inspiração e de elementos para desenvolver uma trama amorosa.

No caso de Daniel Galera, a história acontece numa viagem à Buenos Aires. A personagem principal é uma escritora, Anita, que vai até a cidade argentina para o lançamento da tradução do seu livro. Sem maiores pretensões literárias, Anita acaba se deixando levar pelo seu novo projeto de vida. O desejo de ser mãe, e a negação de uma possível paternidade, motivou o término de seu relacionamento com Danilo. Anita, em sua complexidade e inquietudes, decide se afastar e vivenciar a cidade de Buenos Aires. 

No evento sobre seu livro ela conhece um argentino misterioso, Holden, declaradamente seu fã. Interessante e muito misterioso, ele à apresenta para um espécie de confraria da qual fazem parte seus amigos também escritores. E cada um tem uma relação muito estreita com a literatura, e com seu próprio livro.

Anita se dedica ao seu novo relacionamento, mas não se entrega completamente às crenças e ideologias que Holden e os outros integrantes do grupo compartilham.

A história é bem improvável, mas a escrita é tão bem estruturada, e a personagem é tão real, que somo convencidos desse mundo literário impreciso e complexo. 

O ponto de vista da narradora desperta várias reflexões sobre literatura, ficção e a relação de escritores com a sua própria obra. Por esses motivos, decidi destacar esse trecho, em que a Anita faz uma reflexão a respeito de sua amiga, Alexandra, e essas questões sobre invenção e narrativa.


Se Alexandra queria encontrar um propósito benigno numa infelicidade, cedo ou tarde ela o encontraria. Sua mente ergueria a ponte necessária para que sua explicação de mundo se justificasse. Ela aguardaria com paciência o episódio venturoso que poderia ser interpretado como resultado de um revés anterior. A vida lhe ofereceria um, com certeza, ficando mais uma vez provado que o sofrimento é apenas prelúdio para a felicidade - uma perspectiva que, no caso dela, provou ser insustentável. Mas às vezes um revés é apenas um revés. É comum ficarmos sem compensação nenhuma para um desastre, uma agressão, um erro, uma doença, o fim de um amor, a perda de uma pessoa amada. É uma questão de perspectiva, ou de fé. Nascemos com um prazo limitado para interpretar o mundo. Fazemos o que podemos. O legado de todos que nos precederam nesse esforço pode ajudar ou confundir, e em última instância ninguém nunca prova nada. Atribuir um propósito superior a um lance qualquer da vida é construir uma ficção muito pessoal. Dar sentido ao mundo é um ato criativo. Uma visão de mundo é uma narrativa.
pg. 74

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O menino que comia lagartos

Tikorô gostava de atirar pedrinhas com seu estilingue apontado para lagartos… Até que encontra um enorme lagarto branco aos prantos. Era branco porque suas cores haviam sumido junto com as lembranças… da mesma forma como aconteceu com os africanos. Juntos, eles são guiados pelos símbolos e tradições culturais do povo, num caminho contra o esquecimento…
A ilustração do livro é linda.


Minha avó, sua avó


Um livro para as vovós e seus netinhos compartilharem. A autora conta a história de vida de sua avó, que veio da antiga união soviética para o Brasil quando tinha apenas 10 de idade. O livro traz umas ilustrações com montagens de fotografias (semelhante à estética dos desenhos de maiakovski) e serve como uma espécie de álbum de memória porque incentiva a criança a registrar suas lembranças, desenhos e brincadeiras…

sábado, 21 de setembro de 2013

Minha vida em livros

Com base nos livros que tenho aqui nessa casa, respondo a "tag" Sua vida em Livros.

1) Um livro para cada uma das minhas iniciais:
M - A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo
B -  A Branca voz da solidão, Emily Dickson
H - História do olho, do George Bataille
G - Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa

2) Conte sua idade pelos livros de sua estante: qual é o livro?
Tenho 23 anos. Contando de cima pra baixo, o 23º é o livro infantil O gato e o Diabo, do James Joyce.
ERRATA: Tenho 24. Hahaha, sim, eu não sei quantos anos eu tenho. E olha que estou mais perto dos 25, do que dos 23. Mas vou manter a resposta.. e informar que o próximo livro seria A Grande Questão, do Wolf Erlbruch. Grata! (atualizado em 25/9)

3) Encontre um livro ambientado em sua cidade/estado/ país
Em Niteroi ou em Belém? RJ ou PA? Escolhi o Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, do Marçal Aquino. Porque as gravações do filme homônimo são em Santarém/PA e no Rio de Janeiro/RJ.

4) Escolha um livro que se passe em um lugar que gostaria de conhecer
Nove Noites, do Bernardo Carvalho. Esse livro me impulsiona a conhecer o Xingu, e outros lugares também. Fazer uma viagem em busca de alteridade. 

5) Escolha uma capa de livro com sua cor preferida
Não tenho uma cor favorita, mas estou na fase do amarelo, então escolho o Crítica, Teoria e Literatura Infantil, do Peter Hunt.

6) Que livro te traz boas lembranças?
Não consegui escolher só um (sou libriana, e me sinto orgulhosa por ter omitido outras 2 opções, significa um crescimento pessoal em relação a essa questão sobre "decisão", rs). Então, cada opção se refere a uma fase da vida, pronto.
Macanudo, do Liniers,  Amendoim, da Eva Furnari (meu preferido na infância, readquirido depois de grande), e Hitchcock, catálogo com a coletânea de textos da mostra sobre o cineasta no CCBB.

7) Qual livro você teve mais dificuldade em terminar?
Em 2010, eu acho, li o Ser e Verdade, do Heidegger ... e, por vários motivos, mas todos muito óbvios, sofri .

8) Que livro ainda não lido lhe trará a maior sensação de "missão cumprida"?
Anna Karenina, do Tolstoi, que comecei duas vezes e não terminei. Estou há uns 5 anos nessa lenga lenga. Gosto desse livro, mas ele exige dedicação. E eu sou muito efêmera...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Para leigos não tão leigos em música clássica

Todo mundo já ouviu danúbio azul um dia... Várias mulheres sonharam com aquela tradicional marcha de casamento... Bailarinas valsaram na sua caixinha de música... Crianças foram sonadas pelo clássico "nana nenem"... E você sabe que Bethoven não é só um nome de cachorro.
Pois bem, música clássica é clássica porque é referência. E com certeza você já teve contato com alguma delas. 
Para quem busca incansavelmente essas melodias imortais no youtube ou no google, mas não sabe o nome do autor, ou não consegue reproduzir até que alguém o ajude a identificar, fica aqui sugestão de compra dessa trilogia "classical - works of the great masters", que é vendido com um preço justo e tem um seleção muito boa mesmo, tanto para leigos quanto para os não leigos.



terça-feira, 3 de setembro de 2013

Brigadeiro !

Foi descoberta a receita de brigadeiro mais sensacional e mais simples de todos os tempos, hahaha. Ao invés de usar a "tradicional" receita que exige o leite condensado "Moça", da Nestlé, experimente outras marcas cuja textura do produto seja menos densa. Normalmente o leite condensado das embalagens em caixa são mais líquidos e tecnicamente isso deve fazer alguma diferença no "cozimento". 
Na minha opinião faz sim. O processo todo demora um pouco mais, no entanto o doce gruda menos na panela se você não tiver preguiça de misturar. E fica até mais fácil de mexer sem parar, já que não embolota logo. E assim que o doce fica mais espesso, já é hora de desligar o fogo.
Ok, vamos para os ingrediente e instrumentos de uso.

Eu já tinha usado todas as marcas como teste, todas as quantidades possíveis de achocolatados e chocolates em pó (sim, tem diferença!), tentei inclusive adicionar ingredientes extras, mas essa receita venceu, por dois motivos: custo-benefício e beleza, rs.

1 caixa de leite condensado Itambé
1 colher com margarina Qualy
5 colheres "de sopa" (ou 7 colheres rasa) com achocolatado Toddy
1 panela média (não precisa ser daquele material antiderrapante)
1 espátula de silicone

Modo de preparo:
Aqueça a panela, coloque a margarina e deixe derreter. Adicione a caixa de leite condensado e misture, em fogo médio. Logo em seguida, acrescente o achocolatado e não pare de misturar. Magicamente nada gruda em nenhuma superfície enquanto você mistura com espátula de silicone. Viu? Não tem muito mistério... e ficou assim:





Outras informações extras: 
1) Se desejar granulado, sugiro um de chocolate meeeesmo, tipo esse que usei. Aqueles granulados de pacotinho de supermercado salvam, mas não deixam o mesmo sabor pois são muito açucarados. Ou use raspas de chocolate!!! {usar chocolate em pó, ao invés de achocolatado também deixa mais saboroso, mas dependendo da marca o produto é o dobro do preço}

2) Com essa receita você consegue fazer o formato de brigadeiro em bolinhas. Se quiser atingir aquela textura cremosa de "brigadeiro de colher", acrescente duas colheres "de sopa" (ou uma colher bem cheia) de creme de leite sem soro. O doce fica com textura mais leve e o saber mais suave.

{depois de pronto, eu dividi em duas porções e em uma delas acrescentei o creme de leite que já estava aberto na geladeira, por isso com uma consistência mais cremosa... ficou supimpa! }

3) Existem vários livros com receitas de brigadeiro. Mas eu gosto muito desse daqui, da doceira Juliana Motter, porque ela conta um pouco sobre a história do doce e traz também várias receitas diferentes, nada difíceis. 
Lembro de duas dicas de receitas muito boas, uma ensinava a fazer o brigadeiro com { doce de leite } e outra a acrescentar ovo (pra quem não sabe, a clara é o ingrediente que contribui para a união dos ingredientes). Fica muuuuito bom também, assim como usar chocolate em pó ao invés de achocolatado, mas como disse anteriormente, optei por essa receita porque deu certo e ela é super simples e mais barata.


Outros livros sobre o docinho brasileiro:
  • Brigadeiros e Bolinhas, de Marcia Zoladz, pela Ed. Publifolha.
  • Brigadeiro Gourmet, pela Ed. Lafonte

domingo, 1 de setembro de 2013

Bienal do livro 2013, Rio de Janeiro

Hoje fui ao evento que acontece no Rio Centro, ou seja: far far away... Apesar do nome "centro", o lugar fica bem distante, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo a Barra da Tijuca e não do centro da cidade, rs. 
Mas, tudo bem, porque sendo um evento de grande porte, é necessária uma infraestrutura capaz de receber a quantidade de frequentadores esperada e também o investimento das editoras de livros, com seus estandes monstruosamente imensos.


Sinceramente, assim que entrei desanimei total. O evento mais parece uma feira de supermercado da Zona Sul, em que os produtos estão com descontos, mas acabam saindo pelo preço normal e, ainda assim, caro. Caro também era o lanche. O combo pastel mais refrigerante = R$10 {chorei de fome? não! comprei um copão de pão de queijo por R$7, que era a única coisa que valia a pena, e a moça simpática ainda me deu dois a mais}.

Além do fator finaceiro, as programações mais importantes estão direcionadas à venda de Best Sellers. Na verdade, o evento como um todo... Acho que vi um estande de um sebo, apenas. {chato isso, né? } Não vi nada sobre o incentivo à leitura, ou debates sobre literatura... vi um grande mercado livresco e programações ao estilo talkshow. 

Bem, talvez eu é que estivesse no ligar errado, criando expectativas erradas sobre um evento voltado para LIVROS... porque muita gente, mas muuuuuita gente se aglomerou em filas para ENTRAR nos estandes das editoras mais "importantes". Além da fila na entrada, havia a não óbvia fila para pagar. Ou seja: fila pra entrar no evento, para ver os livros, para pagar os livros... um evento sobre filas, minha gente. E teve pessoal que saiu contente... eu não.

Por outro lado, fuçando um pouco ali e acolá, achei o lugarzinho da Ática e da Scipione, com livros por R$5,50 (sem muita variedade) e desconto acumulativo (que não me interessou muito). Saí de lá com cinco livrinhos que pareciam estocados há muito tempo {dois do Sabino, um do Loyola Brandão, um do Inglês de Sousa e uma antologia de poesia contemporânea} e menos R$27,50 na conta. Nada muito extraordinário! Mas foi possível esse milagre financeiro na Bienal.
O estranho é que, mesmo dividindo o mesmo espaço e  prestando o mesmo serviço, na hora de pagar, não pude comprar todos os produtos juntos. Emitiram uma nota para os livros da Ática e outra para os da Scipione. Nada a ver...

Bom, apesar da exaustão, o dia conseguiu ser agradável, porque as companhias eram boas e fizeram as mesmas reclamações que eu, rs.

Serviço:
De 29 de agosto a 08 de setembro (verifique os horários)
A entrada está no valor de R$14,00, com direito a meia entrada para estudantes, menores de 21 anos (se não estou enganada), portadores de necessidades especiais e pessoas com mais de 60. Quem tem credencial, pode entrar de graça. Mas de modo geral, o evento é pra quem tem algum dinheiro...

Siga no instagram: @bienaldolivro

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Beatles'n'Choro

Segue o link com o volume 1


O interessante desse projeto, é que consegue resgatar a música em si mesma, sem valorizar as letras das canções ou a voz dos Beatles. O arranjo fica bem brasileiro, sem perder a referência. É uma bela transposição. O repertório é a coisa mais linda e tocante. Até mesmo para os não tão fãs da banda de Liverpool. 

Uma pena não estar mais disponível a venda nas lojas, nem por encomenda na Produtora.
Google abençoe o Youtube! Seu dia pode estar a salvo:


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

1000 quadros, narrativa coletiva

Rafael Sica 'tá com um novo projeto, junto com Rafael Coutinho. Foram 24h construindo uma narrativa em quadrinhos, 1000 quadrinhos!
A história não tem linearidade. A proposta é justamente essa. Cada quadro está à venda por r$10 no site da Narval e, conforme as compras, os quadros são divulgados e é então que se define a ordem da narrativa.
Bem legal, né?


{ Como 'tá ficando essa história coletiva?}

Para conhecer mais sobre o trabalho do Rafael Sica, sugiro uma fuçada no blog dele. Foi daí que ele publicou o livro "Ordinário", depois de lançar os quadrinhos na internet. { http://rafaelsica.zip.net/ }
Ele tem um livro novo, "Tobogã", recém lançado e por mim ainda não lido.
Gosto bastante dos desenhos dele: meio nonsense, tem uma atmosfera sobre o fantástico e com um lado poético voltado paro o urbano... além disso, ele não trabalha com texto verbal.

Já o Rafael Coutinho é filho do Laerte e co-autor de "Cachalote", livro assinado também pelo Daniel Galera.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Autógrafos do Ferreira Gullar

Ferreira Gullar esteve semana passada [01/08] na Livraria da Travessa para um bate-papo no auditório. O evento foi motivado por conta do último lançamento do poeta, o livro "A menina Claudia e o Rinoceronte", publicado pela Ed. José Olympio.

 

Os motivos que me levam a escrever esse texto são dois: primeiro, o fato e o registro de ter conseguido autografar meu livros {YEAH} ! Segundo, comentar a respeito das perguntas incabíveis direcionadas ao autor...
Gullar é extremamente crítico. Não só crítico de arte, mas do mundo. Ok, isto até justifica a curiosidade exagerada sobre a opinião do autor... Mas também não quer dizer que ele tenha que responder sobre política num evento sobre seu mais novo livro, voltado para o público infantil.
Na ocasião, criou-se um outro contexto exatamente assim:  "Gullar, e a comissão da verdade?"; "Gullar, o que você acha das manifestações?".

Eu não tive muitas oportunidades de me encontrar com escritores. Obviamente, gostaria de saber o que pensam sobre o mundo. Mas sou contra desvirtuar um evento sobre determinado livro, determinado autor, para focar em assuntos extraliterários, para acessar um discurso de alguém de maior "categoria" e tomar, talvez, para si, esse discurso. Poderiam ter perguntando tanta coisa, tanta sobre literatura...

Ferreira Gullar é desses poetas cheio de vertentes. Ele já escreveu de tudo sobre tudo. E tem uma grandeza tal qual Drummond, e melhor: ainda está vivo. Por que não se aproveitar disso? De fazer uma revisão sobre seus poemas antigos, já que seus livros estão sendo reeditados... Por que não comentar sobre essa ilustre capacidade que esse escritor tem de circular pela crônica poética, pela crônica de jornal, pela arte da colagem, etc, etc, etc.

De lembrança ligeira para esse texto, três poemas surgem, três poemas diferentes que eu gostaria de compartilhar com vocês e que mexeram comigo muito mais na releitura deles, em outras fases da minha vida, do que quando no primeiro contato:

O primeiro poema escolhido, conheci na escola, mas só na faculdade, ou dando aulas, compreendi que ele pode ser um dos principais emblemas do que projetava a poesia moderna brasileira. Antes, eu achava engraçada a dicção do eu-lírico que não fazia metáforas... Hoje ele me transparece, por além do questionamento sobre a função da poesia para a sociedade, como uma forma de entender o próprio fazer poético de Gullar, que se "espanta" (como ele mesmo diz) com coisas cotidianas e talvez óbvias.

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

O segundo poema escolhido, li também quando era bem mais nova... e continua representando bem a minha vontade de traduzir quem sou - meio barroca, meio indecisa (será? rs), meio a meio por inteira... o poema, não por menos, é intitulado "Traduzir-se" e até hoje quando o leio, sinto a mesma sensação "essa sou eu, sou eu, sou eeeeu"... e o fato de sentir que esse poema é meu, que é para mim, mesmo depois de tanto tempo, também faz essa releitura muito significativa.

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Por fim, fecho com o poema "Ao rés do chão", pois quando voltei ao livro "Na vertigem do dia", abri nessa página e me lembrou a viagem que fiz para Buenos Aires, os motivos que me levaram até lá... e, principalmente, há uma identificação por minha parte com esse sentimento de estar "fora do ângulo como um objeto que respira" (sentimento permanente) e esse verso {em negrito e sublinhado} que eu tatuaria em mim por significar qualquer coisa e todas as coisas, e essa coisa em mim, esse universo.

Sobre a cômoda em Buenos Aires
o espelho reflete o vidro de água de colônia
Avant la Fête (antes,
muito antes da festa), reflete
o vidro de Supradyn, um tubo
de esparadrapo,
a parede em frente, uma parte do teto.
Não me reflete a mim
deitado fora do ângulo como um objeto que respira.
Os barulhos da rua
não penetram este universo de coisas silenciosas.
Nos quartos vazios
na sala vazia na cozinha
vazia
os objetos (que não se amam),
uns de costas para os outros.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Abril encerra revista BRAVO! ????



Ontem à tarde entrei numa banca de revista e fiquei iluminada pela BRAVO!. O motivo da capa é exatamente o motivo das minhas duas últimas aulas. Só não comprei a revista porque não tinha um tostão furado no bolso, e o revisteiro old school não tinha a máquina de débito/crédito.
Chegando em casa, coloquei uma edicção antiga (nº173) sobre a mesa e o notebook, numa espécie de exercício memorial "amanhã não posso esquecer de comprar"...
Decidi abrir a internet.
De link em link, PÁ: fim da revista BRAVO! A Editora Abril teria enviado um comunicado aos funcionários dia 31/08... mas, ainda não rolou nenhum aviso oficial aos leitores, apesar da previsão de que este seria dado ontem (01/08).

Estou desolada.
E muito arrependida de não ter comprado todas as edições.
Estou me corroendo.

Quem me conhece sabe que sempre defendi a revista, desde quando residia em Belém. Sou apaixonada pela diagramação e pelo fato dela ser uma revista estritamente cultural. Mesmo sendo restrita ao eixo Rio - São Paulo. 
Aprendi muita coisa ali. Matei minha curiosidade várias vezes e despertei outras lendo as sessões, colunas, indicações de programação, entrevistas, e etc, que sempre se apresentaram bem escritas e pertinentes, com conteúdos voltados para a erudição, para o pop, para o clássico e o novo... tudo junto. Era a mais íntima e mínima porta de diálogo sobre arte e cultura no meio impresso brasileiro. E digo "mínima" quer seja pelo caráter elitista, quer seja pelo teor editorial... é muito difícil competir com cultura de massa, revista de fofoca, resumo de novela... e, sobretudo, com a própria internet.

Esta porta está se fechando... Não sei mais o que dizer...
Estou desolada... mesmo.
Com certeza não esquecerei de comprar essa edição amanhã.

--- Em: 03/08

A Juliana Maués me enviou um email com esse link {aqui}, falando melhor sobre o tema. Sim, houve um pronunciamento no dia 01/08. O texto não informa exatamente onde e como foi dado o comunicado pelo presidente da Abril, mas esclarece melhor o fim das revistas...
Ainda assim, eu sinto falra de ler uma carta aos leitores, um aviso no site, qualquer coisinha assim direcionada ao público das revistas... =/

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Autografei...

.... o livro organizado pela Cleonice Berardinelli, a vovózinha mais simpática do mundo dos estudos em literatura. 
Essa dona é a professora que mais entende de literatura portuguesa e tem uma vasta bibliografia a respeito. Além de ser a responsável pelo livro recém lançado pela editorada Casa da Palavra, intitulado "Cinco Séculos de Sonetos Portugueses: de Camões a Fernando Pessoa", a mesma vovózinha simpática participou da edição de "Mensagem", do Fernando Pessoa, e compilou  os principais autos de Gil Vicente. 
Para quem gosta, estuda ou pretende mergulhar na literatura portuguesa, vale lembrar esse nome, extremamente relevante, pois se trata de alguém especialista no assunto.

 

O bacana desse último livro que ela organizou é justamente o panorama que ele traz da produção do soneto na literatura portuguesa. Desde nomes óbvios do século XVI como Camões, até nomes mais consagrados pela prosa do que pela poesia, por exemplo, José Saramago (século XX). É um livro um tanto "didático": serve como apresentação cronológica do gênero, como espécie de guia para os curiosos e fonte de pesquisa histórica sobre a produção literária de Portugal...

Ah! Um coisa interessante... conversando com um colega sobre esse livro, descobri um autor, o Carlos Oliveira, de cujos poemas foram destacados apenas dois. Trata-se de um poeta português, mas nascido mesmo em Belém, lá no Pará. { ÉGUA! }

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Lançamentos do 2º semestre e breves comentários de leituras

Procurei no histórico, mas tem tanta, taaaaaaanta página, que foi impossível reencontrar o site ou o vídeo em que obtive as seguintes notícias que me interessam sobre lançamentos para o 2º semestre de 2013:
  • em setembro será lançada pela CosacNaify a Antologia de Literatura Fantástica, de Jorge Luis Borges,  Adolfo Bioy Casares e também de Silvina Ocampo. Até então só teríamos acesso a edições em espanhol. Espero que a editora capriche e faça aquela promoção de 50%, hahaha!
  • Bernardo Carvalho lançará um livro mais chocante que Nove Noites. O que será que vem por aí?

Além desses dois, outros lançamentos estão previstos e me deixaram empolgada. Por enquanto cito os livros da Cia das Letras (ver mais aqui):
  • Uma vida em cartas, George Orwell
  • Dever, Armando Freitas Filho
  • Coletânea de prosa de Elizabeth Bishop
  • Dois irmãos, adaptação em quadrinhos por Gabriel Bá e Fábio Moon { estou extremamente curiosa, e consta como "sem data".  Provavelmente restará para 2014 }

Fora esses lembretes sobre livros futuros, tem uma pequena e nobre pilha que aguarda espaço (de tempo) para ser resenhada no blog, ou comentada. Além dos rascunhos que estou relendo e reescrevendo para finalmente publicar por aqui... 

Ah! Chegaram os livros que comprei na promô da Cosac. Nessa comprinha, adquiri mais um da gaúcha Veronica Stigger, o Grand Cabaret Demenzial. Edição bem bacana e instigante. Pela folheada, acho que ela aprimora o humor e a diagramação do livro corresponde. 

Também chegou aquele livro que estava na lista de desejos: Celular - 13 histórias à maneira antiga. Já li os primeiros contos e gostei. O Ingo Schulze parece trazer para a atualidade literária essa necessidade de um efeito moral ao final da narrativa, mas é engraçado isso no texto dele, porque a reflexão surge de uma história que parece sem porquês. "À maneira antiga" me sugere bem esse aspecto, um resgate da áurea desse poder significativo e mágico de narrar, a partir de um olhar sobre as experiências tidas como sem importância... 

E sobre o empréstimo do livro do Borges, ele está por aqui... mas como todo texto borgeano, este também merece pesquisa... então não pode ser leitura de ônibus... viva o Google!:

Abtu e Anet
Vijay Stambha
Torre de la Victoria, Chittorgarh Fort, India

domingo, 28 de julho de 2013

RJ 2013 me remete a um livro do Orwell

Os últimos grandes acontecimentos da cidade me remetem ao livro "Revolução dos Bichos". Tanto a narrativa literária, quanto os fatos demonstram o quanto o povo não pensa por si mesmo

Resumo da história de Orwell:

Em uma fazenda da Inglaterra (Granja Solar), os animais trabalham exaustivamente e por não se sentirem recompensados, sonham com uma grande revolução que defenda a auto-governabilidade e a igualdade entre os animais. Quando o dono da fazenda se descuida da alimentação dos bichos, os animais se libertam e se apropriam da fazenda, instaurando uma nova ordem que preza pelo sistema cooperativista. A sonhada revolução acontece... e várias "regrinhas" são criadas, como por exemplo: qualquer coisa que ande sobre duas perna é inimigo e qualquer coisa que ande sobre quatro pernas (ou tenha asa) é amigo... Mas as consequências dessa nova ordem não são como foram idealizadas...

Há três suínos importantes nessa história:
Major é o porco mais velho, responsável por reunir os animais todos e incitar os princípios originais da revolução. 
Bola-de-Neve é aquele que tem a ideia de construir um moinho de vento, visando a prosperidade da Granja Solar e a melhoria da qualidade de vida de todos os bichos,  mas que, no entanto, desaparece durante a narrativa.
O terceiro é Napoleão, eleito líder dos animais, sendo o porco que se apropria da ideia do moinho de vento e traz informações acusatórias e críticas contra a imaginação e o idealismo de Bola-de-Neve.
Na história de Orwell os porcos são considerados os animais mais inteligentes e passam a usufruir de alguns privilégios que acabam desestruturando o regime de igualdade proposto inicialmente. É a partir de então que uma nova forma de opressão ocorre na Granja Solar, e a estratificação social entre os bichos se instala: alguns dos animais que eram oprimidos tornam-se os opressores da vez.


 {Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros}. 

Ok. Mas e aí, Mariana? O que isso tem a ver com o Rio 2013?
Ora, se pela alegoria tu ainda não entendestes, eu te digo mais algumas coisinhas:
Primeiro, o livro foi escrito em 1945 e é uma sátira à ditadura stalinista, como uma espécie de retrato análogo e nada sutil das situações que ocorriam na União Soviética, tais como: assassinatos sem explicação, exílios e a distorção da memória histórica... Dessa forma, Stálin = porco Napoleão e Trotski = porco Bola-de-Neve.
Eu mesma não entendo muito de história geral e tive que pesquisar a respeito quando li o livro há muito tempo atrás, mas abre parênteses: não são necessários esses dados históricos para entender a narrativa, tá?, fecha parênteses. 

Segunda informação: o livro segue como uma eterna releitura do mundo, pois essa narrativa sempre se demonstra atual e pode ser compreendida em qualquer sociedade como uma produção metafórica e crítica a respeito dos mecanismos de poder que, de alguma forma, trazem a tirania e a dissipação dos ideais de igualdade.

Logo,
o que ocorre no Rio de Janeiro (e nos demais estados brasileiros também) é uma sede de revolução daqueles que estão cansados da exploração. Essa sede reforça a visão pessimista sobre a política atual (ou politicagem - para soar mais negativamente). Os cidadãos estão exaustos dessa submissão a um poder que não nos representa (governo, prefeitura, presidência e por aí vai...) Alguns de nós, os políticos, tomam posse de cargos em nosso nome, mas ao se apropriarem desse poder adquirem mais privilégios e se toram "mais iguais" que nós, os outros. E aí transforam, a sua maneira, as "regrinhas" estabelecidas, fazendo acordos com empresários e instaurando modificações na sociedade de maneira arbitrária em defesa de interesses próprios.

Quase na mesma medida e a respeito da manifestação contra o aumento da passagem dos transportes públicos, o movimento "revolucionário" que era apartidário, que prezava pela igualdade de todos a partir dessa causa comum (os R$0,20), tornou-se alvo de novas formas de opressão: 
a tirania dos que tentam exilar as bandeiras partidárias; 
os movimentos políticos que insistem em organizar a manifestação com base em ideologias próprias e de oposição ao governo, desqualificando o povo / a massa / o Brasil que acordou; 
e a opressão também dos já identificados como autoritários que, por tradição, defendem os direitos apenas da elite e excluem os cidadãos que fazem parte do que chamo de povo, considerando-os os menos iguais.

Nesse meio tempo, assistimos vááááááárias formas de manipulação que funcionam tal qual os slogans repetitivos pelas ovelhas da história de Orwell. Isto é, discursos e mais discursos são mediados (sobretudo pela TV: Arnaldo Jabor + discurso do Pelé) e repetidos incansavelmente. Parte do povo, da classe trabalhadora e não escolarizada, não sabe o que está nas entrelinhas desses discursos... e continua vendendo cerveja no meio do evento, porque identifica aí mais uma oportunidade de tirar um dinheirinho para o seu sustento.
OPS! Ao invés de "evento", eu quis dizer manifestação contra o aumento da passagem... que... PERA LÁ, mas não já diminuiu??? Er... mas a massa vai à rua assim mesmo reivindicar... o que mesmo? Ah tá: #corrupção #sem-violência #vemprarua

E agora... Sacou? Então repete comigo: sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...zzzzzzzzzzzz..
MÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ...
OBSERVAÇÃO: esse texto foi escrito em junho, após presentar minha roommate com um exemplar da obra, editado pela Cia das Letras. Ao converter o rascunho, decidi publicá-lo na data de hoje mesmo, pois no contexto atual do RJ 2013 eu acrescentaria também os eventos da JMJ (= mais uma lavagem cerebral, mais uma forma de tirania hipócrita)
Não aguento mais músicas religiosas repetidas inúmeras vezes como se fossem hino de torcida, ainda que na repetição os cantantes alterem o ritmo para o funk... Além do mais, a cidade está parada em função do evento, impedido a circulação das pessoas por diversas áreas. Praticamente obrigando os transeuntes a se depararem com o Papa. E tem mais: é feriado, mas a livreira aqui trabalha e precisa chegar na hora...  Se liga, minha gente!
IDE E FAZEI DISCÍPULOS ENTRE TODAS AS NAÇÕES
o Papa é BOPE!?

terça-feira, 16 de julho de 2013

Estou curiosa para ler esses livros :

Para cima e não para norte, Ed. Leya - porque depois de sair de Belém, tudo o que tem "norte" me chama atenção, rs, além do mais a história é sobre um homem plano que vive em duas dimensões!

Celular - 13 histórias à maneira antiga, Ed. CosacNaify - porque são contos, é um autor que eu desconheço e são histórias sobre pessoas tentando lidar com o cotidiano... puff.. além do mais estava em promoção no site e eu comprei! Dessa lista, provavelmente será o primeiro a ser lido, furando a fila.

Livro amarelo do Terminal, Ed. CosacNaify - apesar de ser um tema que não me chamaria atenção, a narrativa parece nonsense, a capa é bonita e o papel do livro lembra aquele usado nas páginas amarelas de lista telefônica.

Livro dos seres imaginários, Ed. Companhia das Letras - não lembro exatamente o que me inspirou a ler esse livro do Borges. Li alguns contos em pdf e Ficções recentemente.. e já planejo ler o Aleph. Ler Borges me deixa em crise literária. Então, volto a repetir... não sei porque coloquei esse livro na lista. Provavelmente tinha um motivo digno do esquecimento, por isso a necessidade de listá-lo. Mas, como descobri que minha "roommate" tem, então é outro livro que deve furar a fila também...

As cidades invisíveis, Ed. Companhia das Letras - então... ainda tô esperando ganhá-lo de presente de uma amigo meu: zzzzzzzzzz. Engraçado é que eu peguei ele na livraria, comecei a ler e larguei, porque tinha outras leituras pendentes... e agora fiquei nessa de esperar o bendito prometido, então ainda não li.

Trilogia Millenium, Ed. Companhia das Letras - Tá há muito tempo na lista por causa de uma indicação interessante em algum blog, maaaas... se eu não ganhar ou se eu não me deparar com esse livro aberto na minha frente, com certeza não vou ler. Trilogia... zzzzz... =/

Stella Manhatan, Ed. Rocco - tá escrito "procurar em sebo" e "'90"

Não aguento mais escrever em papeis avulsos e perder a listinha. Por que não tive antes essa ideia de publicar no blog? Esse espacinho está sendo cada dia mais útil e amado.
Risquei os que tenho disponíveis pra ler. Falta só chegar a encomenda da Cosac (confirmou meu pagamento hoje, eee!) e solicitar o empréstimo do outro. Os demais... alguém??

domingo, 14 de julho de 2013

Barbaridade

Sábado, dia de atualizar o blog, publicar os vários "rascunhos" deixados "pra-lá"... e dormir com essa:
O mundo vai mudar com os bons exemplos e não com as negativas opiniões...
E mais:

1. aguardando minha dívida, er.. digo: minha compra chegar! Aproveitei os 60% de desconto da Cosac e depois de fazer três pedidos diferentes, paguei por um desses pedidos. Librianas são assim: indecisas e analisam o custo benefício até mesmo daquilo que mais querem.

2. queijo ricota não derrete e fica ótimo na frigideira.

3. eu deveria abrir um novo tópico, "culinária" ou "comidinhas"... olha essa foto:

hmmmmm ... nhami nhami  =9


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Por que ser estruturalista



a child crying, diane arbus
pessoa aqui, o eu que escreve, está ficando maluca. 
Desisti de não levantar bandeiras acadêmicas, de me afastar de correntes, de visar as novidades teóricas, etc, etc, etc... 
Definitivamente, essa minha preguiça pelas coisas que considero banais só tem me feito sofrer.
Método? Historicidade, periodização - métodos? ISMOs, doutrinas... tão abomináveis quanto interessante. Mas e aí, Mariana?
Tomei uma decisão, afinal tudo o que eu renego bate na minha cara... e todas as coisas pelas quais tento me interessar, na verdade não me interessam. E se não me convencem a ser isso ou aquilo, eu vou focar na perspectiva que sempre me abraçou. 
Já perdi muito tempo minha gente! Então, como boa maluca e libriana desequilibrada, fiz uma "lista" com o porquê de finalmente me assumir estruturalista. Lá vai... simbora, sem pré-conceitos teóricos!

Caminhando pelo óbvio, resumão, a grosso modo e por aí vou:

as humanidades se constituem de estruturas: acredito que a arte, a cultura, o homem em si e em sociedade, além dos etcs (e poréns), surgem de conceitos organizados sistematicamente, como um se tudo fosse um organismo mesmo, um "todo" que surge a partir de uma ordem, ordenação, organização [e outras variantes sinônimas que indicam que partes desse "todo" exercem funções, agem e agem sobre ele, em formação]
se é assim, os fenômenos humanos não surgem do nada, zero, vazio.  nem aleatoriamente, nem do acaso! o bendito ser humano observa o mundo (os fenômenos e blá blá) e reflete sobre ele por meio de associações, dessas constituem-se nossa memória, o aprendizado, o conhecimento, a criação (sempre híbrida porque nunca há o 0, e sempre há a combinatória/somatória das partes)
entonces, sempre há uma espécie de base de análise, algo como um modelo, padrão, que é descrito [e não normatizado] pelas estruturas que o mesmo indivíduo observa no mundo, apenas como EXEMPLO para os fins da análise em questão. Ok. Não se elaboram esses padrões, visto que são exemplos e extrações de uma ordem já existente. Então, reforçando, são estruturas descritivas de si mesmas. 
Já que é isso, as tais "partes" analisadas do mundo [sistemas teóricos, fenômenos, e o diabo a quatro] não podem ser entendidos isoladamente. Há sempre uma referência, uma relação, uma correspondência com os demais pares antagônicos que formam o todo.
[Considerando-se a narrativa, acredito existir o eixo sintagmático e o paradigmático, no qual fatos são enredados em frases e parágrafos que delineiam por oposição  a outros a ação narrativa, do mesmo modo em que são associados à memória e não são aleatórios. A ordem e a disposição do enredado (através da “câmera" do narrador), parte de uma escolha estética estruturalizante da obra]
[no mundo Real, as ações se ordenam segundo o tempo cronológico convencional, no mundo Ficcional, as ações se ordenam segundo uma estrutura subjacente, relativa a intuição do artista e o ato de expressá-la - fundamentada numa outra ordem, uma perspectiva não-histórica em que os elementos narrativos são solidários entre si em sentido literário e não extra-literário, miméticos ]
por que amar o estruturalismo? bom, qualquer outra abordagem há de considerar esse viés estruturalista de análise, ainda que seja para negá-lo, pois o processo de descrição ou identificação de estruturas, partes e todos, estão imanente em toda análise, natureza, categoria. 

as coisas só “são" ou “existem" a partir de uma autoridade organizacional em que algo é porque não é, algo é parte porque há um todo, algo é por apropriação, transformação, sugerindo sempre um referente estrutural de ordem [que não é normativa, repitooooo].
[do ponto de vista da arte (literatura - prosa e poesia), qualquer outra abordagem que não seja de caráter estruturalista será pautada numa análise extraliterária, estando perdida em inflexões históricas, sociológicas, psicanalíticas, filosóficas - exponenciais. O lance é se deter a principio e sempre no modo de articular a linguagem e as relações estabelecidas serão entendidas assim ]

UFA!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Infantis recém chegados à livraria, editora SM

A editora SM lançou grandes livros (livros grandes) em textos adaptados. Ainda não os li, mas me impressionou muito a proposta de lançar Gargântua. Estou realmente curiosa... Até porque eu sinceramente não conhecia a história até pouco tempo, e quando tive contato me pareceu algo que jamais seria relacionado ao mundo infantil, porque o original tem conteúdo considerado obsceno, impróprio e por aí vai. É a típica história censurada ou que gera polêmica. 
Conheci através de um livro do Bakhtin "A cultura popular da Idade Média", livro relacionado a estudos sobre cultura cômica popular. Nele, eram descritas cenas de vocabulário bem grosseiro, escatológico, abjeto. Logo, meus olhinhos brilharam. Acho o Bakhtin um chato, mas não da pra negar que ele saca umas coisas bem interessantes. Enfim, publicaram para crianças literatura de realismo grotesco. PRECISO LER ISSO.


Outra feliz novidade é "A máquina do poeta", uma confidência do Drummond para o Mário de Andrade a respeito da sua crise com a escrita... O poeta confessando acreditar que não nascera para escrever.
O ilustrador Nelson Cruz consegue trabalhar com esse questionamento sempre inerente ao poeta Drummond, com ilustrações sombrias, soturnas, que revelam tristeza e o desconforto emocional. Uma bela homenagem às correspondências que Drummond trocava com Mário. 




Lembrou-me logo o poema que se inicia assim: "Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro, inquieto, vivo."
Acho que as imagens do Nelson Cruz conseguem retratar bem isso, essa crise e agonia poética, que se torna motivo de vários poemas do Drummond. São imagens que também são poesia, e que inundam uma vida inteira.

domingo, 16 de junho de 2013

15° salão FNLIJ

Acabou  hoje. As fotos são do único dia em que estive presente, no quarto dia de seminário. O tema era "a arte de ilustrar para crianças no Brasil e no mundo".


Eu adoro essa reflexão sobre ilustração, ainda mais quando estiveram presentes nomes importantes como Nelson Cruz, Rui de Oliveira, Ciça Fittipaldi, Odiolon Moraes (!!!), Roger Mello e também os colombianos Ivar da Coll, Rafael Yockteng, Dipacho, Olga Cuéllar e Claudia Rueda, etc etc etc. Saldo bem positivo. Os debates foram interessantes, não foram profundos em complexidade, mas profundos pela amplitude e relevância dada a questão da ilustração dos livros, verdadeiras obras de arte.




Em relação aos estandes: muito amor para a CosacNaify, que estava com 40% de desconto em todos os livros.


Cada participante ganhou um livro.  Recebi o exemplar de Grande Sertão Veredas, da ed. Nova Fronteira, coleção Biblioteca do Estudante!


Lista com os vencedores deste ano (produção de 2012), aqui !