Estive presente na exposição de Ron Mueck e fiquei abismada com a minúcia de detalhes e a precisão de seus trabalhos. É o que podemos chamar de um hiperrealismo, tanto pela técnica quanto pela brincadeira com a palavra hiper, no sentido de que algumas obras tem grandes proporções e contagiam os nossos olhares para cada mínima perfeição de traços, rostos, peles, pelos... As esculturas desse artista são projeções indefectíveis de seres humanos e animais, feitos de resina, fibra de vibro, silicone e acrílico.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
Ron Mueck
domingo, 1 de setembro de 2013
Bienal do livro 2013, Rio de Janeiro
Hoje fui ao evento que acontece no Rio Centro, ou seja: far far away... Apesar do nome "centro", o lugar fica bem distante, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo a Barra da Tijuca e não do centro da cidade, rs.
Mas, tudo bem, porque sendo um evento de grande porte, é necessária uma infraestrutura capaz de receber a quantidade de frequentadores esperada e também o investimento das editoras de livros, com seus estandes monstruosamente imensos.
Sinceramente, assim que entrei desanimei total. O evento mais parece uma feira de supermercado da Zona Sul, em que os produtos estão com descontos, mas acabam saindo pelo preço normal e, ainda assim, caro. Caro também era o lanche. O combo pastel mais refrigerante = R$10 {chorei de fome? não! comprei um copão de pão de queijo por R$7, que era a única coisa que valia a pena, e a moça simpática ainda me deu dois a mais}.
Além do fator finaceiro, as programações mais importantes estão direcionadas à venda de Best Sellers. Na verdade, o evento como um todo... Acho que vi um estande de um sebo, apenas. {chato isso, né? } Não vi nada sobre o incentivo à leitura, ou debates sobre literatura... vi um grande mercado livresco e programações ao estilo talkshow.
Bem, talvez eu é que estivesse no ligar errado, criando expectativas erradas sobre um evento voltado para LIVROS... porque muita gente, mas muuuuuita gente se aglomerou em filas para ENTRAR nos estandes das editoras mais "importantes". Além da fila na entrada, havia a não óbvia fila para pagar. Ou seja: fila pra entrar no evento, para ver os livros, para pagar os livros... um evento sobre filas, minha gente. E teve pessoal que saiu contente... eu não.
Por outro lado, fuçando um pouco ali e acolá, achei o lugarzinho da Ática e da Scipione, com livros por R$5,50 (sem muita variedade) e desconto acumulativo (que não me interessou muito). Saí de lá com cinco livrinhos que pareciam estocados há muito tempo {dois do Sabino, um do Loyola Brandão, um do Inglês de Sousa e uma antologia de poesia contemporânea} e menos R$27,50 na conta. Nada muito extraordinário! Mas foi possível esse milagre financeiro na Bienal.
O estranho é que, mesmo dividindo o mesmo espaço e prestando o mesmo serviço, na hora de pagar, não pude comprar todos os produtos juntos. Emitiram uma nota para os livros da Ática e outra para os da Scipione. Nada a ver...
Bom, apesar da exaustão, o dia conseguiu ser agradável, porque as companhias eram boas e fizeram as mesmas reclamações que eu, rs.
Serviço:
De 29 de agosto a 08 de setembro (verifique os horários)
A entrada está no valor de R$14,00, com direito a meia entrada para estudantes, menores de 21 anos (se não estou enganada), portadores de necessidades especiais e pessoas com mais de 60. Quem tem credencial, pode entrar de graça. Mas de modo geral, o evento é pra quem tem algum dinheiro...
Siga no instagram: @bienaldolivro
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Autógrafos do Ferreira Gullar
Ferreira Gullar esteve semana passada [01/08] na Livraria da Travessa para um bate-papo no auditório. O evento foi motivado por conta do último lançamento do poeta, o livro "A menina Claudia e o Rinoceronte", publicado pela Ed. José Olympio.
Os motivos que me levam a escrever esse texto são dois: primeiro, o fato e o registro de ter conseguido autografar meu livros {YEAH} ! Segundo, comentar a respeito das perguntas incabíveis direcionadas ao autor...
Gullar é extremamente crítico. Não só crítico de arte, mas do mundo. Ok, isto até justifica a curiosidade exagerada sobre a opinião do autor... Mas também não quer dizer que ele tenha que responder sobre política num evento sobre seu mais novo livro, voltado para o público infantil.
Na ocasião, criou-se um outro contexto exatamente assim: "Gullar, e a comissão da verdade?"; "Gullar, o que você acha das manifestações?".
Eu não tive muitas oportunidades de me encontrar com escritores. Obviamente, gostaria de saber o que pensam sobre o mundo. Mas sou contra desvirtuar um evento sobre determinado livro, determinado autor, para focar em assuntos extraliterários, para acessar um discurso de alguém de maior "categoria" e tomar, talvez, para si, esse discurso. Poderiam ter perguntando tanta coisa, tanta sobre literatura...
Ferreira Gullar é desses poetas cheio de vertentes. Ele já escreveu de tudo sobre tudo. E tem uma grandeza tal qual Drummond, e melhor: ainda está vivo. Por que não se aproveitar disso? De fazer uma revisão sobre seus poemas antigos, já que seus livros estão sendo reeditados... Por que não comentar sobre essa ilustre capacidade que esse escritor tem de circular pela crônica poética, pela crônica de jornal, pela arte da colagem, etc, etc, etc.
De lembrança ligeira para esse texto, três poemas surgem, três poemas diferentes que eu gostaria de compartilhar com vocês e que mexeram comigo muito mais na releitura deles, em outras fases da minha vida, do que quando no primeiro contato:
O primeiro poema escolhido, conheci na escola, mas só na faculdade, ou dando aulas, compreendi que ele pode ser um dos principais emblemas do que projetava a poesia moderna brasileira. Antes, eu achava engraçada a dicção do eu-lírico que não fazia metáforas... Hoje ele me transparece, por além do questionamento sobre a função da poesia para a sociedade, como uma forma de entender o próprio fazer poético de Gullar, que se "espanta" (como ele mesmo diz) com coisas cotidianas e talvez óbvias.
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
O segundo poema escolhido, li também quando era bem mais nova... e continua representando bem a minha vontade de traduzir quem sou - meio barroca, meio indecisa (será? rs), meio a meio por inteira... o poema, não por menos, é intitulado "Traduzir-se" e até hoje quando o leio, sinto a mesma sensação "essa sou eu, sou eu, sou eeeeu"... e o fato de sentir que esse poema é meu, que é para mim, mesmo depois de tanto tempo, também faz essa releitura muito significativa.
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Por fim, fecho com o poema "Ao rés do chão", pois quando voltei ao livro "Na vertigem do dia", abri nessa página e me lembrou a viagem que fiz para Buenos Aires, os motivos que me levaram até lá... e, principalmente, há uma identificação por minha parte com esse sentimento de estar "fora do ângulo como um objeto que respira" (sentimento permanente) e esse verso {em negrito e sublinhado} que eu tatuaria em mim por significar qualquer coisa e todas as coisas, e essa coisa em mim, esse universo.
Sobre a cômoda em Buenos Aires
o espelho reflete o vidro de água de colônia
Avant la Fête (antes,
muito antes da festa), reflete
o vidro de Supradyn, um tubo
de esparadrapo,
a parede em frente, uma parte do teto.
Não me reflete a mim
deitado fora do ângulo como um objeto que respira.
Os barulhos da rua
não penetram este universo de coisas silenciosas.
Nos quartos vazios
na sala vazia na cozinha
vazia
os objetos (que não se amam),
uns de costas para os outros.
Gullar é extremamente crítico. Não só crítico de arte, mas do mundo. Ok, isto até justifica a curiosidade exagerada sobre a opinião do autor... Mas também não quer dizer que ele tenha que responder sobre política num evento sobre seu mais novo livro, voltado para o público infantil.
Na ocasião, criou-se um outro contexto exatamente assim: "Gullar, e a comissão da verdade?"; "Gullar, o que você acha das manifestações?".
Eu não tive muitas oportunidades de me encontrar com escritores. Obviamente, gostaria de saber o que pensam sobre o mundo. Mas sou contra desvirtuar um evento sobre determinado livro, determinado autor, para focar em assuntos extraliterários, para acessar um discurso de alguém de maior "categoria" e tomar, talvez, para si, esse discurso. Poderiam ter perguntando tanta coisa, tanta sobre literatura...
Ferreira Gullar é desses poetas cheio de vertentes. Ele já escreveu de tudo sobre tudo. E tem uma grandeza tal qual Drummond, e melhor: ainda está vivo. Por que não se aproveitar disso? De fazer uma revisão sobre seus poemas antigos, já que seus livros estão sendo reeditados... Por que não comentar sobre essa ilustre capacidade que esse escritor tem de circular pela crônica poética, pela crônica de jornal, pela arte da colagem, etc, etc, etc.
De lembrança ligeira para esse texto, três poemas surgem, três poemas diferentes que eu gostaria de compartilhar com vocês e que mexeram comigo muito mais na releitura deles, em outras fases da minha vida, do que quando no primeiro contato:
O primeiro poema escolhido, conheci na escola, mas só na faculdade, ou dando aulas, compreendi que ele pode ser um dos principais emblemas do que projetava a poesia moderna brasileira. Antes, eu achava engraçada a dicção do eu-lírico que não fazia metáforas... Hoje ele me transparece, por além do questionamento sobre a função da poesia para a sociedade, como uma forma de entender o próprio fazer poético de Gullar, que se "espanta" (como ele mesmo diz) com coisas cotidianas e talvez óbvias.
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
O segundo poema escolhido, li também quando era bem mais nova... e continua representando bem a minha vontade de traduzir quem sou - meio barroca, meio indecisa (será? rs), meio a meio por inteira... o poema, não por menos, é intitulado "Traduzir-se" e até hoje quando o leio, sinto a mesma sensação "essa sou eu, sou eu, sou eeeeu"... e o fato de sentir que esse poema é meu, que é para mim, mesmo depois de tanto tempo, também faz essa releitura muito significativa.
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Por fim, fecho com o poema "Ao rés do chão", pois quando voltei ao livro "Na vertigem do dia", abri nessa página e me lembrou a viagem que fiz para Buenos Aires, os motivos que me levaram até lá... e, principalmente, há uma identificação por minha parte com esse sentimento de estar "fora do ângulo como um objeto que respira" (sentimento permanente) e esse verso {em negrito e sublinhado} que eu tatuaria em mim por significar qualquer coisa e todas as coisas, e essa coisa em mim, esse universo.
Sobre a cômoda em Buenos Aires
o espelho reflete o vidro de água de colônia
Avant la Fête (antes,
muito antes da festa), reflete
o vidro de Supradyn, um tubo
de esparadrapo,
a parede em frente, uma parte do teto.
Não me reflete a mim
deitado fora do ângulo como um objeto que respira.
Os barulhos da rua
não penetram este universo de coisas silenciosas.
Nos quartos vazios
na sala vazia na cozinha
vazia
os objetos (que não se amam),
uns de costas para os outros.
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domingo, 16 de junho de 2013
15° salão FNLIJ
Acabou hoje. As fotos são do único dia em que estive presente, no quarto dia de seminário. O tema era "a arte de ilustrar para crianças no Brasil e no mundo".
Eu adoro essa reflexão sobre ilustração, ainda mais quando estiveram presentes nomes importantes como Nelson Cruz, Rui de Oliveira, Ciça Fittipaldi, Odiolon Moraes (!!!), Roger Mello e também os colombianos Ivar da Coll, Rafael Yockteng, Dipacho, Olga Cuéllar e Claudia Rueda, etc etc etc. Saldo bem positivo. Os debates foram interessantes, não foram profundos em complexidade, mas profundos pela amplitude e relevância dada a questão da ilustração dos livros, verdadeiras obras de arte.
Em relação aos estandes: muito amor para a CosacNaify, que estava com 40% de desconto em todos os livros.
Cada participante ganhou um livro. Recebi o exemplar de Grande Sertão Veredas, da ed. Nova Fronteira, coleção Biblioteca do Estudante!
Lista com os vencedores deste ano (produção de 2012), aqui !
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Dalì: a Divina Comédia, CAIXA Cultural, RJ
A exposição do Salvador Dalí, também na CAIXA Cultural, tá bem bacana. São as gravuras / aquarelas em que o surrealista ilustrou a Divina Comédia de Dante. Essa ideia de pintar a obra italiana, parece que surgiu de uma proposta do governo italiano, em um contrato que depois foi suspenso pelo fato do artista ser espanhol. Mas ele já estava tããão nessa liga, que acabou dando continuidade a sua releitura.
É bem louca, rs. Do Inferno, ao Purgatório, até o Paraíso... é incrível como são lidos e interpretados os cantos... no meio do percurso da exposição esqueci completamente que eram duas obras distintas, uma sendo um poema narrativo e outra as imagens surrealistas.
Infelizmente não pude registrar muito além dessas duas fotos.
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Macanudismo, quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers, CAIXA Cultural / RJ
Finalmente fui à exposição do argentino Ricardo Siri, o Liniers!!! Tem muita coisa pra ver: são mais de 650 trabalhos entre livros, pinturas, ilustrações e tiras originais, que ficarão expostos gratuitamente até setembro.
Vou deixar o vídeo-convite aqui !


terça-feira, 19 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
Maratona Odeon: Alfred Hitchcock
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