O interessante desse projeto, é que consegue resgatar a música em si mesma, sem valorizar as letras das canções ou a voz dos Beatles. O arranjo fica bem brasileiro, sem perder a referência. É uma bela transposição. O repertório é a coisa mais linda e tocante. Até mesmo para os não tão fãs da banda de Liverpool.
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terça-feira, 27 de agosto de 2013
Beatles'n'Choro
Segue o link com o volume 1
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sábado, 1 de junho de 2013
Revista Crescer
Aproveitando o ensejo do texto anterior, quero linkar a seguinte dica para as pessoas que se interessam por livros infantis.
Há oito benditos anos, a Revista Crescer, da Editora Globo, seleciona 30 livros bacanas, que se destacam pela qualidade do texto escrito, pelas ilustrações e também pelo conteúdo que abordam. A ideia é contribuir para que os educadores / pais / responsáveis possam se orientar sobre uma a leitura mais adequada aos alunos / filhos. E também contribuir para o bel'prazer dos curiosos / livreiros que, como eu, torcem e ficam felizes quando aquele autor que você devota paixão é prestigiado.
Já que o mundo é "democrático", eu mesma não concordo sempre com a escolha de todos os livros. Mas acho interessantíssima a proposta, pois, apesar do caráter classificatório, a revista objetiva nos trazer os bons e mais amigos livros, dentre tantos lançamentos e possibilidades de leituras. Esse ano, vou te contar! Muitos claps, claps. Eu praticamente não fiz ressalvas a quase nenhum livro escolhido. E também não vi nenhuma grande injustiça na ausência de outros...
Abre um parêntese: lembrando uma coisinha que comentei aqui no início, o "ensejo" mencionado 'tá relacionado ao fato de que o André Neves está nessa listinha super especial, com TRÊS títulos: Entre Nuvens, pela BrinqueBook !!! Malvina, pela Editora DCL. !!! e TOM, da Ed. Projeto [veja meu texto anterior].
AEEEEEEEEE !!!
Fecha parênteses!
Da listinha de 2013, destaco primeiro duas edições de livros já "clássicos" para a turma dos pequenos. Lançado em '64, Ou isto ou aquilo 'tá de cara nova. Depois de um tempinho fora de catálogo, a Editora Global traz os cinquenta poemas da Cecília Meireles em capa dura, com design horizontal ('tá maior!) e com ilustrações do Odilon Moraes, que também é o responsável pela nova roupagem de A vida íntima de Laura (1974), publicada pela Rocco. Só coisa linda, gente. Duas queridas, Cecília e Clarice Lispector, sendo reeditadas. O mais bacana dessa edições é que, além de super bonitas na simplicidade, o novo formato do livro permite um abraço mais gostoso dos pequenos. As antigas edições tinham aquele padrão mais ou menos 16 x 23.
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| "Entre Nuvens", com o selo FNLIJ (assunto futuro, aqui no blog) |
AEEEEEEEEE !!!
Fecha parênteses!
Da listinha de 2013, destaco primeiro duas edições de livros já "clássicos" para a turma dos pequenos. Lançado em '64, Ou isto ou aquilo 'tá de cara nova. Depois de um tempinho fora de catálogo, a Editora Global traz os cinquenta poemas da Cecília Meireles em capa dura, com design horizontal ('tá maior!) e com ilustrações do Odilon Moraes, que também é o responsável pela nova roupagem de A vida íntima de Laura (1974), publicada pela Rocco. Só coisa linda, gente. Duas queridas, Cecília e Clarice Lispector, sendo reeditadas. O mais bacana dessa edições é que, além de super bonitas na simplicidade, o novo formato do livro permite um abraço mais gostoso dos pequenos. As antigas edições tinham aquele padrão mais ou menos 16 x 23.
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| [novo formato: 24,5 x 24,5] |
Outro livro que não posso deixar de mencionar é Os Fantásticos Livros Voadores de Modesto Máximo, porque além da história ser linda, o tema está relacionado a livros, leitura e clássicos, sua publicação tem origem nesse curta de animação (super premiado!!!), que eu disponibilizo aqui embaixo...
Importante ressaltar: trata-se de uma adaptação transgredindo a lógica do mercado (de que livros tornam-se filmes e não o inverso).
Importante ressaltar: trata-se de uma adaptação transgredindo a lógica do mercado (de que livros tornam-se filmes e não o inverso).
Trecho da sinopse do livro de William Joyce no site da Rocco :
O solitário Modesto Máximo está na varanda escrevendo suas memórias. Vem um furacão. Ele perde tudo, menos as memórias. No furacão, uma moça voadora joga um livro sobre ele. Esse livro guia Modesto Máximo até uma biblioteca. Ele se torna dono da biblioteca. Cuida dos livros. Vai escrevendo o seu. Quando termina de escrever suas memórias, ele também adquire a capacidade de voar. Sai voando. Nesse momento, chega uma menininha. O livro de Modesto Máximo acaba no colo da menininha. Vai começar tudo de novo.Pretendo fazer um texto especial para alguns livros. Por ora, restam alguns breves comentários sobre estes três.
Enfim, vale a pena dar uma fuçada no site da revista. As resenhas estão super de acordo e eles divulgam, inclusive, os preços dos livros e também uma sugestão de faixa-etária.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Ursinhos Carinhosos!!
Olha só o que eu encontrei: dvd dos ursinhos carinhosos! Ca-ra-ca! Eu não estou tão velha assim! Hahahaha
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notas & reflexões
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Melhores do Ano de 2011
2011 foi um ano muito bom. Gostaria de ter comentado mais cada filme que participa dessa lista, mas esperei muito tempo e agora o "pique" já não é o mesmo. Além do mais, listas são sempre injustas e incoerentes em vários aspectos. Talvez seja perda de tempo justificar a ordenação. E como dói fazer uma lista! Colocar Rei Leão 3D em sétimo... Parece que fiz uma bagunça...! Já não sei posicionar Turnê e Inverno da alma, filmes que assisti logo no início do ano... em outros casos, admito que por pura implicância rebaixei ao máximo o posicionamento de alguns filmes, rs. Mas a lista é minha.
Fechei com 15, achei mais apropriado.
Viva o cinema! Viva a arte!
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notas & reflexões
domingo, 27 de novembro de 2011
O cinema com Selton Mello
Em 2008, Selton Mello me surpreendeu com Feliz Natal, abusando de Cassavettes e criando um filme cujo desempenho atinge a perfeição, mas que, de alguma forma, não me satisfaz dizê-lo "bom".
Para ser mais sincera, em minha memória há apenas omissões sobre cenas, roteiro, atores...
Lembro-me apenas de Darlene Gloria se (con)fundindo com Gena Rowlandse...
Uma cena inicial com pessoas fazendo sexo - cena que me remete a Árido Movie... Um ferro velho...Vidro quebrado..., cenários da decadência humana... ou isso era em O Pântano de Lucréia Martel?
Associações ou remediações de uma pouca memória, o fato é que as grandes paráfrases tornaram-se meras coisas referidas.
Em Feliz Natal tudo era bom, estruturalmente falando. O impacto primeiro foi nossa!, Selton Mello sente o cinema... Mas logo em seguida veio uma sensação de exagero... e a pergunta: cadê o diretor?
Resumo a experiência que tive em Feliz Natal como um trauma de uma fã frustrada.
Há quase duas semanas atrás, fui ao cinema assistir ao Palhaço. Não fazia ideia do que seria ir a essa sessão. Com poucas expectativas, apostei numa segunda experiência com Selton Mello na direção... Mas dessa vez ele estava também diante das câmeras, do modo como eu prefiro.
Das reações primeiras, fiquei encantada com a proposta de beleza que já vinha acompanhando desde a publicidade do filme... (acredito que a magia do título, por si só, carrega consigo uma poética natural, ainda que por vezes a figura de um palhaço possa estar associada a outras imagens que não sejam propriamente circenses).
Simultânea ao encanto, conforme sequenciava-se o filme, seguia comigo uma apreensão relativa a prévios conceitos e as associações aos picadeiros de Charles Chaplin e de Fellini, apreensão substituída por uma surpresa-implicância na atuação de Selton (que de certo modo não me pareceu copiosa, mas sim forçada sob uma caricatura melancólica exagerada).
O personagem Benjamin está entregue ao ermo da alegria, encenando para nós (espectadores do filme) e para os que com ele convivem (espectadores do dentro-fora do circo) a sensação de um palhaço que está distante de seu próprio universo - eis o esteriótipo do palhaço triste, que busca o sentido do próprio riso.
Os rumos que segue Benjamin são literalmente as estradas de sua vida, que o fazem duvidar entre o vestir e o tirar o nariz de palhaço (a máscara, a persona, o alter-ego), de modo a questionar qual é a sua identidade.
(Um parágrafo-parêntese:
Curioso e impossível não relacionar a questão identitária do personagem à questão autoral do filme. E volto a indagar-me: que identidade busca registrar Selton Mello diante de si e do cenário fílmico brasileiro? ...
Me parece que o diretor gosta dos seres solitários... da procura pelo entendimento do homem no (seu) universo... Procurou isso no drama e, agora, procura na comédia.)
Desde Feliz Natal, marcas de outros cineastas apresentam-se como fundação de toda a linguagem que a câmera de Selton Mello objetiva. Se no primeiro filme as influências ultrapassam os limites de uma possível "tradução cinematográfica" e atingem a livre transcrição, em O Palhaço o diretor consegue retratos daquilo que quer expressar, mediante à sensibilidade e à admiração aos grandes cinemas, que visivelmente tornam-se presentes no seu ato cinematográfico (ainda que numa contínua absorção de identidades).
Porém, nessa segunda experiência, já nem sei se por condescendência, ou por adoração ao sorriso do ator e aos traquejos cômicos que lhes são próprios do charme (RISOS), vejo em O Palhaço a partida para a consistência daquilo que Selton Mello quer em sua direção, pois ele consegue nos atingir tanto pelo prazer estético, quanto por um prazer hedonista... sem que os clichês distorçam a própria "funcionalidade" do filme.
O desfecho d'O Palhaço é costurado a todos os "retalhos"* do filme (diálogos entre os personagens, cenas mudas, fotografias da expressão e impressão de personagens, imagens-símbolos que atingem significação, etc). Difícil não ser contagiado pela história, pelos detalhes bem cuidados, figurinos, atuação, participação e gags de grandes e médios atores... além do roteiro bem escrito. Tive uma segunda experiência bem mais satisfatória!
Concluí que a direção de Selton Mello está aí como uma incógnita sobre quem ele é, quem é o cinema brasileiro e quais são os rumos dessa indagação por uma alteridade.
Acredito que o perigo de suas incursões em outros cinemas é também a coragem de ser quem não é, para tentar ser alguém ou a si mesmo.
Desejo apenas que ele esqueça os caminhos da linguagem que o acompanha e siga a intuição da solidão errante, manifesta em seus próprios personagens... tendo em vista que a arte não chega a lugar nenhum, pois não tem um objetivo determinado.
---
* no texto original lia-se "remendos", mas a partir de uma re-leitura notei que o sentido que procurava era mais próximo se usado o termo "retalhos", ainda que este último não seja suficiente para dizer o que eu pretendia e, de certo modo, possa soar pejorativo (o que não é a intenção)
atualização em 27 de nov às 16:46h
Para ser mais sincera, em minha memória há apenas omissões sobre cenas, roteiro, atores...
Lembro-me apenas de Darlene Gloria se (con)fundindo com Gena Rowlandse...Uma cena inicial com pessoas fazendo sexo - cena que me remete a Árido Movie... Um ferro velho...Vidro quebrado..., cenários da decadência humana... ou isso era em O Pântano de Lucréia Martel?
Associações ou remediações de uma pouca memória, o fato é que as grandes paráfrases tornaram-se meras coisas referidas.
Em Feliz Natal tudo era bom, estruturalmente falando. O impacto primeiro foi nossa!, Selton Mello sente o cinema... Mas logo em seguida veio uma sensação de exagero... e a pergunta: cadê o diretor?
Resumo a experiência que tive em Feliz Natal como um trauma de uma fã frustrada.
Há quase duas semanas atrás, fui ao cinema assistir ao Palhaço. Não fazia ideia do que seria ir a essa sessão. Com poucas expectativas, apostei numa segunda experiência com Selton Mello na direção... Mas dessa vez ele estava também diante das câmeras, do modo como eu prefiro.
Das reações primeiras, fiquei encantada com a proposta de beleza que já vinha acompanhando desde a publicidade do filme... (acredito que a magia do título, por si só, carrega consigo uma poética natural, ainda que por vezes a figura de um palhaço possa estar associada a outras imagens que não sejam propriamente circenses).
Simultânea ao encanto, conforme sequenciava-se o filme, seguia comigo uma apreensão relativa a prévios conceitos e as associações aos picadeiros de Charles Chaplin e de Fellini, apreensão substituída por uma surpresa-implicância na atuação de Selton (que de certo modo não me pareceu copiosa, mas sim forçada sob uma caricatura melancólica exagerada).O personagem Benjamin está entregue ao ermo da alegria, encenando para nós (espectadores do filme) e para os que com ele convivem (espectadores do dentro-fora do circo) a sensação de um palhaço que está distante de seu próprio universo - eis o esteriótipo do palhaço triste, que busca o sentido do próprio riso.
Os rumos que segue Benjamin são literalmente as estradas de sua vida, que o fazem duvidar entre o vestir e o tirar o nariz de palhaço (a máscara, a persona, o alter-ego), de modo a questionar qual é a sua identidade.(Um parágrafo-parêntese:
Curioso e impossível não relacionar a questão identitária do personagem à questão autoral do filme. E volto a indagar-me: que identidade busca registrar Selton Mello diante de si e do cenário fílmico brasileiro? ...
Me parece que o diretor gosta dos seres solitários... da procura pelo entendimento do homem no (seu) universo... Procurou isso no drama e, agora, procura na comédia.)
Desde Feliz Natal, marcas de outros cineastas apresentam-se como fundação de toda a linguagem que a câmera de Selton Mello objetiva. Se no primeiro filme as influências ultrapassam os limites de uma possível "tradução cinematográfica" e atingem a livre transcrição, em O Palhaço o diretor consegue retratos daquilo que quer expressar, mediante à sensibilidade e à admiração aos grandes cinemas, que visivelmente tornam-se presentes no seu ato cinematográfico (ainda que numa contínua absorção de identidades).
Porém, nessa segunda experiência, já nem sei se por condescendência, ou por adoração ao sorriso do ator e aos traquejos cômicos que lhes são próprios do charme (RISOS), vejo em O Palhaço a partida para a consistência daquilo que Selton Mello quer em sua direção, pois ele consegue nos atingir tanto pelo prazer estético, quanto por um prazer hedonista... sem que os clichês distorçam a própria "funcionalidade" do filme.
O desfecho d'O Palhaço é costurado a todos os "retalhos"* do filme (diálogos entre os personagens, cenas mudas, fotografias da expressão e impressão de personagens, imagens-símbolos que atingem significação, etc). Difícil não ser contagiado pela história, pelos detalhes bem cuidados, figurinos, atuação, participação e gags de grandes e médios atores... além do roteiro bem escrito. Tive uma segunda experiência bem mais satisfatória!Concluí que a direção de Selton Mello está aí como uma incógnita sobre quem ele é, quem é o cinema brasileiro e quais são os rumos dessa indagação por uma alteridade.
Acredito que o perigo de suas incursões em outros cinemas é também a coragem de ser quem não é, para tentar ser alguém ou a si mesmo.
Desejo apenas que ele esqueça os caminhos da linguagem que o acompanha e siga a intuição da solidão errante, manifesta em seus próprios personagens... tendo em vista que a arte não chega a lugar nenhum, pois não tem um objetivo determinado.
---
* no texto original lia-se "remendos", mas a partir de uma re-leitura notei que o sentido que procurava era mais próximo se usado o termo "retalhos", ainda que este último não seja suficiente para dizer o que eu pretendia e, de certo modo, possa soar pejorativo (o que não é a intenção)
atualização em 27 de nov às 16:46h
domingo, 23 de outubro de 2011
Um abraço de Sofia em Charlotte em mim
Há um ano esse personagem fala tanto, mas tanto sobre mim que eu me sinto dentro de um ficcionismo absurdamente poético e impassível de definições.
E isso é tão bom... Gosto de me vestir com a idéia de que esse filme é sobre um "nós" íntimo, fora do alcance e das pertubações do mundo que não nos pertence. Porque se perder traduzindo os sentimentos próprios nos faz construir um mundo paralelo.
E isso é tão bom... Gosto de me vestir com a idéia de que esse filme é sobre um "nós" íntimo, fora do alcance e das pertubações do mundo que não nos pertence. Porque se perder traduzindo os sentimentos próprios nos faz construir um mundo paralelo.
Não!.... Um mundo onipresente naquilo que realmente nos vale: o interior...
Eu sinceramente não faço questão de definir, mesmo que precise, que sinta forte essa necessidade. No fundo eu só queria constatar... e sussurrar ao pé-do-ouvido do mundo que o que grita em mim não são esses murmúrios, é algo que a linguagem verbal não dominna.
É só assim, no momento do cinema: eu ali, vendo, sentindo, observando, "fotografando"... muito indiferente aos sentidos estomacais da vida mundana, banal, cotidiana.
É algo muito além do coração... algo que respira.
A medida do que sinto é conforme eu o interiorizo e trago... e exteriorizo apenas o que não me serve... O que fica, mesmo que seja ruim, jamais será cinza.
Gosto dessa cumplicidade do cinema bordando as minhas cicatrizes, sem progressões... desconsiderando a distância tão próxima e vidente, e se alimentando da proximidade distante e ausente (à vista de outros)...
E o tempo, ah!, ele é delicadamente relativo, e nosso! Dura muito mais que o tempo de vida de um filme.
P.s: uma conversa de Mariana com o enaltecer de seu eu-lírico.
Eu sinceramente não faço questão de definir, mesmo que precise, que sinta forte essa necessidade. No fundo eu só queria constatar... e sussurrar ao pé-do-ouvido do mundo que o que grita em mim não são esses murmúrios, é algo que a linguagem verbal não dominna.
É só assim, no momento do cinema: eu ali, vendo, sentindo, observando, "fotografando"... muito indiferente aos sentidos estomacais da vida mundana, banal, cotidiana.
É algo muito além do coração... algo que respira.
A medida do que sinto é conforme eu o interiorizo e trago... e exteriorizo apenas o que não me serve... O que fica, mesmo que seja ruim, jamais será cinza.
Gosto dessa cumplicidade do cinema bordando as minhas cicatrizes, sem progressões... desconsiderando a distância tão próxima e vidente, e se alimentando da proximidade distante e ausente (à vista de outros)...
E o tempo, ah!, ele é delicadamente relativo, e nosso! Dura muito mais que o tempo de vida de um filme.
P.s: uma conversa de Mariana com o enaltecer de seu eu-lírico.
Texto escrito em 05 de Abril de 2008
Apesar das baboseiras que escrevi e dos sentimentos em 2008 (que hoje são outros), ainda sinto muito esse filme. É como um abraço, ou uma saudade. Valeu, Sofia!
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Sofia Coppola
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Mostra Hitchcock, parte 2 – um episódio sobre o verdadeiro farsante
Na primeira vez que fui ao CCBB-RJ esse ano, esbarrei com um senhor de uns setenta anos que me empurrou descaradamente no escuro da sala de cinema. Não satisfeito, o diabo que era o velho me rogou pragas como se eu fosse a dona do empurrão.
No dia 3 de julho, esse mesmo velhote de mal com a vida, interceptou uma amiga e eu, enquanto estávamos na fila para mais uma sessão de filmes do Hitchcock.
Bêbado e mal vestido, o grisalho meio careca e meio despenteado era a imagem viva de um senhorzinho decrépito saído de um filme de horror, cuja sabedoria não se deve duvidar:
- Olha pra mim, você me acha bonito? Eu sou muito feio!- .... ??? ....- Por que você gosta dos filmes dele (Hitchcock)? .... Ele é um farsante, ha ha ha, um farsante, entendeu?! Você não acha que ele é um farsante? É um farsante... Te provoca coisas que você não sente.
Das mulheres impostoras, a sedutora Madeleine (Corpo que Cai) talvez seja a mais incontestável, num páreo duro com Marnie e seguida de Marion (Psicose), que surpreende seus pares com um furto, uma fuga e um disfarce para se instalar no Bates Motel.
Das graciosas, temos Sra. Froy, a agente secreta disfarçada de governanta (Dama Oculta), Melanie (Pássaros) que conquista pela mentira travessa e Blanche (Trama Macabra) a farsa hilariante em criatura...

Dos sujeitos errados, anti-heróis adoráveis, lidera John Ballantine (Spellbound), personagem pelo qual nos apaixonamos com Dra. Constance, porque afinal de contas nem ele se reconhece diante da própria farsa.
Em Ladrão de Casaca, o impostor é John Robie, ou "Gato", quando o bon-vivant sobe aos telhados...
Temos também o mocinho Ted Spencer (Sabotagem), dissimulado verdureiro que na verdade é o sargento por trás da prisão de Mrs Verloc, criminoso que chefia o sumário dos farsantes insensíveis. Assim também é Tony Wendice (Disque M), pois ainda que não forje máscaras, finge que não vê, repete o que não foi dito e simula o que sente, maquinando o assassinato da própria esposa.
Hitchcock tem muito filmes. É difícil nomeá-los continuamente. De qualquer forma, fácil é concluir que suas historias encenam mentiras, calúnias e vaidades. Seja por amor, como em Chantagem e Confissão, ou por conspiração, como em O homem que sabia demais.
Personagens falsantes, impostores e enganadores... e o sósia de Van Meer (O Correspondente Estrangeiro) como elementos causadores da ação fílmica.
Hitchcock é um farsante? Pois quem sabe mais, nós ou seus personagens?
O suspense por vezes está no espectador e não na obra! Terror psicológico, curiosidade veemente e voyeurismo entusiasmante. O diretor é inocente pela mácula inverdade que filma, porém culpado pela imagens sensoriais emblemáticas e tramas que provocam solavancos. A espetacular revelação da verdade que pertence à história é também a intensa verdade com que dirige a câmera.
Farsante...? Farsante é você que se inclui no rolo da película, faz gracejos e celebra a elegância da trapaça, saindo solene do cinema... mas se te acusam de um crime, ha ha ha, tenho certeza de que não farás cerimônia, caro espectador.
Já o Hitchcock... Não. Ele não é um farsante! Mas, sim.... "ele provoca coisas que você não sente".
sábado, 20 de agosto de 2011
Há muitas coisas bonitas que Renoir não enxergou
(Situação:) Belém, 15 minutos de atraso, CineEstação, amigos. (Cinegrafia:) Estrangeiros, línguas, legendas fragmentadas. O papel da Europa no século XXI. Questões políticas e culturais... (Objeção:) "É possível gostar de algo sem que possamos entendê-lo?".
Talvez aceitá-lo não conceitualmente, mas a partir de si mesmo, da forma como se mostra. Foi assim com Film Socialisme do Godard... “Coisas Como”, “Nossa Europa” e “Nossas Humanidades”. Tudo desorganizado em sua ordem. O que Godard quer me dizer?
Saí do cinema refletindo e numa frase impactante, penso: o verbo não é imagem. Mas qual é esse verdadeiro impacto? E que frase doida é essa, Mariana? Resultado de uma experiência em que as palavras são mínimas significações, em que a imagem se sobressai e se revela como pintura fotográfica e pronto. As palavras são "dizeres sobre" enquanto a imagem por si só já é o registro e assim se registra como.
Godard no fundo mostrou o poder do cinema, fazendo cinema. Câmera mirando câmera. O diafragma, que é o olho, se fecha, capta... O poder da mais ínfima qualidade de imagem e da mais alta cor:
O cinema - ou a arte - permanece como a possibilidade de resistência última do sujeito, mesmo que este sujeito nos chegue aos cacos, aos estilhaços de quem imprime um mundo a voar diante dos olhos (ou, como um filme-pensamento, dentro da cabeça). A tela é uma só. O filme (no singular) é o último socialismo (no sentido político corriqueiro, mas também no "social" que lhe é radical) possível: o último momento de fé, de uma anulação silenciosa e ritualística no coletivo, mas ao mesmo tempo de um magnetismo absolutamente ativo entre dois olhares: a pessoa que olha pra tela e a tela que olha de volta. Godard, autocrítico de vocação, firma em Film Socialisme um pacto no qual os aforismos e os fragmentos categóricos se sabem apenas um possível começo de conversas. E, das conversas, algo de gigantesco pode surgir.(fonte: http://www.revistacinetica.com.br/filmsocialisme.htm)
Obs: rever esse filme vinte vezes.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Um breve comentário sobre Psicose
Procuro um jeito para me concentrar e escrever com mais frequencia no blog, mas não encontro. Também não quero estar sempre justificando minha ausência por aqui, já que o propósito do blog é que eu tenha uma obrigação comigo mesma e não necessariamente com os bem vindos leitores e leitoras. E todos sabem o quanto obrigações são chatas.
Tenho um segundo texto e um terceiro em mente sobre o Hitchcock e a mostra no CCBB-RJ. Mas, sinceramente, já não tenho o mesmo pique para comentar porque muitas coisas aconteceram. No fundo, no fundo, sofro de indisciplina. Mas, só para não deixar assim tão vaga a minha experiência deixo aqui um video meu, gravado no Rio (RJ) e que fará parte do dossiê Hitchcock da APJCC, cuja vídeo-crítica sobre Pisicose foi gravada ontem em Belém (PA).
Falo a partir de duas pequenas cenas que considero importantes. E também a respeito de uma perspectiva que compara as personagens Marion (Psicose) e Melanie Daniels (Os Pássaros).
Contenha o riso,
rs
Tenho um segundo texto e um terceiro em mente sobre o Hitchcock e a mostra no CCBB-RJ. Mas, sinceramente, já não tenho o mesmo pique para comentar porque muitas coisas aconteceram. No fundo, no fundo, sofro de indisciplina. Mas, só para não deixar assim tão vaga a minha experiência deixo aqui um video meu, gravado no Rio (RJ) e que fará parte do dossiê Hitchcock da APJCC, cuja vídeo-crítica sobre Pisicose foi gravada ontem em Belém (PA).
Falo a partir de duas pequenas cenas que considero importantes. E também a respeito de uma perspectiva que compara as personagens Marion (Psicose) e Melanie Daniels (Os Pássaros).
Contenha o riso,
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Hitchcock
terça-feira, 19 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
Mostra Hitchcock, parte 1 – relato de experiência
Alfred Hitchcock esteve presente no CCBB do Rio de Janeiro entre 01 de junho e 14 de julho. Assistir à obra do grande diretor, o maior até então em minha opinião, traz não apenas o contato filme-espectador - uma experiência estética, mas a experiência espiritual de ver materializado em estilo e arte a perspectiva criadora de um grande cara. Grande cara!
A sua fisionomia e o seu humor peculiares são assinaturas caricatas, quase caligráficas também. Estar presente em cena, em seu próprio filme, ali no canto, representa muito mais que uma brincadeira com o telespectador, é uma diversão metonímica. O Grande cara pelo grande filme, sendo a parte do todo e o todo pela parte.
A programação foi aparentemente desenhada para o meu aproveitamento total. Mas, infelizmente, o clichê dos imprevistos que sempre acontecem provocou furos no meu roteiro e minha participação efetiva foi boicotada pelo tempo, clima, cansaço, manifestações na rua, mau trânsito e, principalmente, filas enormes (e a tal prioridade aos velhinhos que chegavam 10 minutos antes e conseguiam o (meu) lugar... lugar de quem havia chegado há muito tempo, com fome e sede e vontade de ir ao banheiro.
Mais de um mês. Exceto às segundas, fui todos os dias ao CCBB. Perdi aula, mas também perdi filme por causa de aula. Um conflito eterno sobre prioridades e prazer... e o que realmente vale a pena. O que realmente vale a pena? Atravessar de barca até Niterói, perdendo 40 minutos da minha vida, ou esperar 40 minutos em pé a próxima sessão da minha vida?
Película! Película. Película...
Filmes que eu nunca tinha visto. Filmes que vendo a segunda vez pareciam a primeira. Filmes que não importam a quantidade de vezes que se vê, sempre não se vê tudo, sempre algo escapa aos olhos do telespectador, ainda que não escapem aos olhos de Sir Alfred Hitchcock, o Grande cara.
Não foi apenas uma aula de cinema ou um apontamento para a importância da linguagem. Foi a submissão do meu olhar contra o olhar Dele, da minha perspicácia a favor da supremacia narrativa Dele. O meu prazer em detrimento do prazer Dele... foi óbvio. Hitchcock reviveu!
Grande cara, sou sua grande fã.
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notas & reflexões
Maratona Odeon: Alfred Hitchcock
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Hitchcock
sexta-feira, 6 de maio de 2011
“O Fetichista Pop”
O “cinema” de Kenneth Anger deve gerar opiniões extremas, daquelas “8 ou 80”.
Escrevo cinema entre aspas porque tenho uma concepção (leiga) sobre cinema que difere um pouco do que vi em Anger. Os curtas dele seguem muito mais a linha característica de clipes, comerciais e vinhetas... é coisa pop mesmo. Seria então um cinema alternativo?!
Escrevo cinema entre aspas porque tenho uma concepção (leiga) sobre cinema que difere um pouco do que vi em Anger. Os curtas dele seguem muito mais a linha característica de clipes, comerciais e vinhetas... é coisa pop mesmo. Seria então um cinema alternativo?!
Kenneth não se limita. De forma que não sei nem dizer aonde ele ultrapassa os limites. Sem diálogos, apenas imagens simbolizadas, sobrepostas... num elo criativo cujas idéias dispersas se unem seqüenciadas em relação direta e irônica com as músicas de fundo... uma arte de expressão bem pessoal!
“Pessoal” porque se finca no que eu chamo de lógica da inspiração, que é quando o artista aparentemente cria a partir de um processo de epifanias, sem uma ordem orgânica de criação... Como se de alguma maneira a ordem se criasse por si só no processo, e não anterior a ele.
Também digo “pessoal” porque só gosta quem entende o artista. E só gosta porque entende. Aos que não entendem, resta o não gostar... Mas há de convir também que há os que não gostam, mesmo entendendo... questão de gosto é sempre pessoal.
Em “Scorpio Rising” e “Kustom Kar Kommandos”, vejo fetichismo e uma ode à masculinidade em tom homoerótico. Motos, carros, velocidade... Passam-se os anos, os homens crescem e os brinquedos só mudam de tamanho...
Em “Scorpio Rising” e “Kustom Kar Kommandos”, vejo fetichismo e uma ode à masculinidade em tom homoerótico. Motos, carros, velocidade... Passam-se os anos, os homens crescem e os brinquedos só mudam de tamanho...
“Invocation of my Demon Brother” é mais experimental, portanto mais interessante. Anger lida com o suave desaparecimento de planos, sobreposição e justaposição de imagens, demonstrando uma economia narrativa que se mantém em “Lucifer Rising”. Kenneth Anger é, sem dúvida, um visionário.
Aprecio suas escolhas, mas nem tanto o resultado.
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Kenneth Anger
sábado, 16 de abril de 2011
Últimas
Quanto tempo se passou! Um mês? É.
Hoje não vou escrever sobre nada muito específico, quero somente atualizar o blog para que ele não fique às moscas e comentar também sobre algumas das minhas últimas leituras que, graças!, foram variadas, rápidas e proveitosas.
Li dois dos três volumes do Scott Pilgrim, após assistir ao filme (trailer). Normalmente indico essa prática em relação a adaptações literárias: primeiro assistir ao filme. Mas, nesse caso, não acho que vá fazer muita diferença. Na maioria dos casos há grandes reclamações na mudança da linguagem, ou no roteiro que cinematograficamente é “reduzido”. Eu, ao contrário, preferi a versão fílmica. Como disse o Mateus, o diretor conseguiu misturar Tv, Quadrinho, Videogame e Cinema. Sensacional!
O início é muito empolgante, mas do meio pro final fica um pouco cansativo. Concordo com a critica da Cinética, é chato assistir uma partida de videogame sem poder participar, rs. Mas na minha opinião isso nem compromete tanto assim...
Por enquanto estou na metade do “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” do Marçal Aquino - livro também adaptado para o cinema, pelo diretor Beto Brant. Fora isso, estou me empolgando com as programações gratuitas e a mostra de clássicos Lume Filmes do CCBB. Apesar das alterações sem aviso na programação, consegui ver Alice (youtube), do Chabrol e Anjo Embriagado, do Kurosawa.
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| Sylvia Kristel em Alice, de Claude Chabrol |
Para quem não sabe, desde o dia 11 do 04 estou morando oficialmente e temporariamente no Rio, enquanto durar minha especialização na UFF (uff, passei! rs).
E por último e não menos importante: poesia! Li o "A teus pés" da Ana Cristina César (leia um poema aqui) e o "Trans" , do poeta paraense Age de Carvalho (meu preferido!) - livro que ganhei de presente dos meus tios João Jorge e Diana.
É minha gente, esse é um texto que escrevo orgulhosa, meio abestalhada e cheia de gabação... mas é que a caboquinha saiu de Belémzinha e chegou na cidade grande com ganância de ler, ver e saber o mundo.
Abraços.
O QUE não quer
dizer nada –
o que
por si
só
já seria
o em-si do assunto
enquanto lavas
teu prato
e vês sentido
nisso.
Age de Carvalho
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