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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

1000 quadros, narrativa coletiva

Rafael Sica 'tá com um novo projeto, junto com Rafael Coutinho. Foram 24h construindo uma narrativa em quadrinhos, 1000 quadrinhos!
A história não tem linearidade. A proposta é justamente essa. Cada quadro está à venda por r$10 no site da Narval e, conforme as compras, os quadros são divulgados e é então que se define a ordem da narrativa.
Bem legal, né?


{ Como 'tá ficando essa história coletiva?}

Para conhecer mais sobre o trabalho do Rafael Sica, sugiro uma fuçada no blog dele. Foi daí que ele publicou o livro "Ordinário", depois de lançar os quadrinhos na internet. { http://rafaelsica.zip.net/ }
Ele tem um livro novo, "Tobogã", recém lançado e por mim ainda não lido.
Gosto bastante dos desenhos dele: meio nonsense, tem uma atmosfera sobre o fantástico e com um lado poético voltado paro o urbano... além disso, ele não trabalha com texto verbal.

Já o Rafael Coutinho é filho do Laerte e co-autor de "Cachalote", livro assinado também pelo Daniel Galera.

domingo, 14 de julho de 2013

Barbaridade

Sábado, dia de atualizar o blog, publicar os vários "rascunhos" deixados "pra-lá"... e dormir com essa:
O mundo vai mudar com os bons exemplos e não com as negativas opiniões...
E mais:

1. aguardando minha dívida, er.. digo: minha compra chegar! Aproveitei os 60% de desconto da Cosac e depois de fazer três pedidos diferentes, paguei por um desses pedidos. Librianas são assim: indecisas e analisam o custo benefício até mesmo daquilo que mais querem.

2. queijo ricota não derrete e fica ótimo na frigideira.

3. eu deveria abrir um novo tópico, "culinária" ou "comidinhas"... olha essa foto:

hmmmmm ... nhami nhami  =9


domingo, 16 de junho de 2013

15° salão FNLIJ

Acabou  hoje. As fotos são do único dia em que estive presente, no quarto dia de seminário. O tema era "a arte de ilustrar para crianças no Brasil e no mundo".


Eu adoro essa reflexão sobre ilustração, ainda mais quando estiveram presentes nomes importantes como Nelson Cruz, Rui de Oliveira, Ciça Fittipaldi, Odiolon Moraes (!!!), Roger Mello e também os colombianos Ivar da Coll, Rafael Yockteng, Dipacho, Olga Cuéllar e Claudia Rueda, etc etc etc. Saldo bem positivo. Os debates foram interessantes, não foram profundos em complexidade, mas profundos pela amplitude e relevância dada a questão da ilustração dos livros, verdadeiras obras de arte.




Em relação aos estandes: muito amor para a CosacNaify, que estava com 40% de desconto em todos os livros.


Cada participante ganhou um livro.  Recebi o exemplar de Grande Sertão Veredas, da ed. Nova Fronteira, coleção Biblioteca do Estudante!


Lista com os vencedores deste ano (produção de 2012), aqui !

sábado, 1 de junho de 2013

Revista Crescer

Aproveitando o ensejo do texto anterior, quero linkar a seguinte dica para as pessoas que se interessam por livros infantis.

Há oito benditos anos, a Revista Crescer, da Editora Globo, seleciona 30 livros bacanas, que se destacam pela qualidade do texto escrito, pelas ilustrações e também pelo conteúdo que abordam. A ideia é contribuir para que os educadores / pais / responsáveis possam se orientar sobre uma a leitura mais adequada aos alunos / filhos. E também contribuir para o bel'prazer dos curiosos / livreiros que, como eu, torcem e ficam felizes quando aquele autor que você devota paixão é prestigiado.

Já que o mundo é "democrático", eu mesma não concordo sempre com a escolha de todos os livros. Mas acho interessantíssima a proposta, pois, apesar do caráter classificatório, a revista objetiva nos trazer os bons e mais amigos livros, dentre tantos lançamentos e possibilidades de leituras. Esse ano, vou te contar! Muitos claps, claps. Eu praticamente não fiz ressalvas a quase nenhum livro escolhido. E também não vi nenhuma grande injustiça na ausência de outros...

"Entre Nuvens", com o selo FNLIJ (assunto futuro, aqui no blog)
Abre um parêntese: lembrando uma coisinha que comentei aqui no início, o "ensejo" mencionado 'tá relacionado ao fato de que o André Neves está nessa listinha super especial, com TRÊS títulos: Entre Nuvens, pela BrinqueBook !!! Malvina, pela Editora DCL. !!! e TOM, da Ed. Projeto [veja meu texto anterior].

AEEEEEEEEE !!!
Fecha parênteses!

Da listinha de 2013, destaco primeiro duas edições de livros já "clássicos" para a turma dos pequenos. Lançado em '64, Ou isto ou aquilo 'tá de cara nova. Depois de um tempinho fora de catálogo, a Editora Global traz os cinquenta poemas da Cecília Meireles em capa dura, com design horizontal ('tá maior!) e com ilustrações do Odilon Moraes, que também é o responsável pela nova roupagem de A vida íntima de Laura (1974), publicada pela Rocco. Só coisa linda, gente. Duas queridas, Cecília e Clarice Lispector, sendo reeditadas. O mais bacana dessa edições é que, além de super bonitas na simplicidade, o novo formato do livro permite um abraço mais gostoso dos pequenos. As antigas edições tinham aquele padrão mais ou menos 16 x 23.
[novo formato: 24,5 x 24,5]
[ novo formato: 21 x 28 ]
Outro livro que não posso deixar de mencionar é Os Fantásticos Livros Voadores de Modesto Máximo,  porque além da história ser linda, o tema está relacionado a livros, leitura e clássicos, sua publicação tem origem nesse curta de animação (super premiado!!!), que eu disponibilizo aqui embaixo... 
Importante ressaltar: trata-se de uma adaptação transgredindo a lógica do mercado (de que livros tornam-se filmes e não o inverso).

 
Trecho da sinopse do livro de William Joyce no site da Rocco : 
O solitário Modesto Máximo está na varanda escrevendo suas memórias. Vem um furacão. Ele perde tudo, menos as memórias. No furacão, uma moça voadora joga um livro sobre ele. Esse livro guia Modesto Máximo até uma biblioteca. Ele se torna dono da biblioteca. Cuida dos livros. Vai escrevendo o seu. Quando termina de escrever suas memórias, ele também adquire a capacidade de voar. Sai voando. Nesse momento, chega uma menininha. O livro de Modesto Máximo acaba no colo da menininha. Vai começar tudo de novo.
Pretendo fazer um texto especial para alguns livros. Por ora, restam alguns breves comentários sobre estes três.
Enfim, vale a pena dar uma fuçada no site da revista. As resenhas estão super de acordo e eles divulgam, inclusive, os preços dos livros e também uma sugestão de faixa-etária. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Gosto dos livros que me causam uma poética perturbação visual e narrativa.

Hoje em dia, nesse mundo em que palavra se tornou imagem, figura, ou qualquer termo que a aproxime de uma materialidade plástica, acredito ser impossível manter-se apenas no prazer estético de uma linguagem, uma que não acompanhe o hibridismo puro do mundo atual. Por esse motivo, sempre devoto paixão pelos livros de "autores completos", autores-ilustradores-escritores-de-design. Nessa minha "categoria", listo Shaun Tan, André Neves, Eva Furnari, Wolf Erlbruch, Sempè.

Dois livros, recém lançados, causaram-me essa sensação de palavra desenhada em imagem verbalizada, sabem? Dois livros extramente sensíveis, de uma sensibilidade natural à leitura feita pelos autores sobre os temas abordados e expressiva à maneira como eles se comunicaram conosco, leitores.

[ sinopse da editora]
[ sinopse da editora]
  

O primeiro livro narra a história de um garotinho que enxergava pessoas "invisíveis", pessoas que nós nos acostumamos (ou preferimos) não ver: mendigos, garis, trabalhadores de ruas, etc. Esse super poder do garoto manifesta a cegueira social que nos atinge, e que apaga dos nossos horizontes esses seres marginalizados. A invisibilidade que os cerca é naturalizada conforme o garoto amadurece, demonstrando um comportamento proprio do ser humano. A cegueira não está simplesmente relacionada à fase adulta, mas sim à ideia de como nos moldamos a certos comportamentos, como perdemos a sensibilidade e a percepção para determinados assuntos conforme nos fechamos ao mundo, esse mundo adulto, cego, domesticado, de estéril curiosidade sobre o que nos cerca. A criança, essa com super poderes, tem nos raios laranjas a capacidade de iluminar aqueles que estão apagados de nós.
A ilustração de Renato Moriconi, traz em sua simplicidade e minimalismo, a força da questão temática, trazendo a realidade para o texto poético, emergindo da fantasia o senso critico do leitor.

André Neves, autor do segundo livro, atinge no seu traço a fineza e delicadeza da história de um menino, Tom, que vive no silêncio, incompreendido por todos, vivente da própria solidão de seus pensamentos. O narrador dessa historia é seu irmão, que se pergunta a todo momento o porquê de Tom não se comover ou exprimir o que sente.
Sem uma forte estrutura de enredo de ações, André Neves enlaça as linhas da história demonstrando a comunicabilidade descoberta fraternalmente entre o mundo desses dois personagens (Tom é autista), numa tristeza bonita e desenhada pelas margens da nossa compreensão. Um livro de pura poesia, poesia de verbos livres. 

A beleza desses livros, principalmente em Tom, que possui "autoria completa", está nessa leveza entre a fantasia e a realidade, a abstração e o factual, em que vida e história possuem uma mesma perspectiva poética, vida como mundo concreto, e história como mundo ficcionalizado.

Possibilidades de linguagem, de dizeres, de profundidades e de ser simples. Sem dissociar texto escrito do texto imagem, como se fossem um só texto, pois são: um livro, cada um. 

domingo, 5 de maio de 2013

Morte e Vida Severina

Em 2011, estive presente em algumas sessões do AnimaMundi. Não me recordo, obviamente, de tudo o que eu vi, mas lembro-me fascinada com a adaptação da adaptação de Morte e Vida Severina* [mais]. Hoje, passeando pela internet, participei novamente dessa experiência (vídeos ao final do texto).


[ 1956 ]
O que ficou bem marcado nos meus registros sensoriais sobre essa adaptação do poema de João Cabral de Melo Neto foi o traçado do cartunista Miguel Falcão que carrega consigo o olhar e a linguagem contemporâneos sobre a narrativa versificada, originalmente de 1956.
O texto, reproduzido em off, acompanha a rudeza do tema e a delicadeza poética impressas no preto e no branco de Falcão. O excesso de branco causa contrastes fortes, como se o diafragma da câmera sofresse longa exposição. Funciona como os olhos humanos, em ambientes de excessiva luz: é o sol escaldante do sertão reluzindo.
Esse movimento breve de cores (ou ausência delas), reflete a dualidade maniqueísta trágica. O ser e não ser inerente nas sombras, nas profundezas reentrantes e lacunares do desenho da alma humana.



A tragédia, inicialmente verborrágica, é traçada como o elemento que nos permite experiências metafísicas e não apenas como marca de acontecimentos funestos. A condição humana, severina e retirante, da migração de uma vida em busca de outra vida (melhor).


A poesia de Cabral de Melo, delineada nos riscos de Falcão, expressa a apreensão de uma realidade paralela à necessidade de transformação. Severino, homem do agreste, é seguido pela Morte em todo seu percurso existencial. Uma perseguição que não lhe é pessoal, pois a Morte figura como presença pertencente a todos, de maneira sempre ameaçadora.


A adaptação para os quadrinhos demonstra uma identificação e a sensibilização sobre o tema, pois reconhece os ermos metafísicos de JCMN, tornando-o compreensível em sua materialidade visual, seguindo o mesmo rigor métrico do poeta a partir da verdade do traçado caricatural da Morte.


* versão audiovisual em 3D da adaptação para os quadrinhos do poema de JCMN. Tem 56 minutos de duração e é dirigida por Afonso Serpa, com trilha sonora de Lucas Santtana e Gero Camilo como intérprete de Severino.
Para assistir aos vídeos, clique aqui: animação e making off

  • Miguel Falcão é chargista e ilustrador do Jornal do Comercio de Recife e colaborador da revista Continente Multicultural. Fundador da Associação dos Cartunistas de Pernambuco, o quadrinista é formado em Design pela UFPE.A versão em quadrinho do poema "Morte e Vida Severina" foi publicada em 2005 pela Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco.

sábado, 9 de março de 2013

Wally está sempre perdido

... em qualquer lugar, não importa onde esteja. Nada a ele pertence. 

Nas obras clássicas, herois são aqueles dos grandiosos feitos, de presente sabedoria, de virtuosidades, de grande eloquência...
Wally, não... Ele precisa de nós. É nosso pequeno cidadão, perdido nas paisagens urbanas, silenciado nas narrativas de seu cotidiano colorido de informações e de cenas que só se distiguem porque percebemos a procura. Somos os interventores do espaço e do tempo do mundo ilustrado de Martin Handford.

O insignificante em "Onde está o Wally" é o que nos retém, o que nos guia para o desenredo, o anticlímax, o não desfecho.
Um livro que aguarda o olhar daquele que sabe o que pretende, olhar que impõe a inserção de um personagem protagonizado em sua propria ausência, paralelamente à exposição de fatos aleatórios que nos desguiam e nos confrontam... diante de um... tema?!

O que a nós, leitores de imagens, serve como tema?

Relatamos o que circunda Wally: descrevemos aquilo que se antepõe a ele:  cenários de um percurso: espaço de busca.

Wally, protagonista, é reticente. Dispersa simultâneas narrativas não análogas na mesma medida em que as concentra isoladas no vão comum, paginado e afigurado como preenchimento.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mostre-me a capa e te direi se deves ler




Os projetos "pockets" são sempre a tentação em relação à praticidade e ao bolso dos leitores. Aliado ao formato e ao custo, o grande catálogo de livros oferecidos - principalmente no que diz respeito aos clássicos - incentiva a busca pela possibilidade da compra fácil e acessível, pois o leitor pode encontrar vários livretos em qualquer banca de revista.
A ideia seria genial, se não fossem os senões.
O formato agrada aos leitores urbanos, que leem no ônibus, no metrô, em pé enquanto aguardam atendimento na fila do banco... Leitores consumidores práticos. Entretanto, os requintados e de apuro gráfico implicam com o quesito design, que inclui a diagramação, cor e tipo de papel utilizados, tamanho da letra e do espaçamento, além de outros elementos estéticos que visam ao livro objeto arte. Não interessa a eles se a página não rasga fácil...

As capas medíocres dos livros de bolso são e foram o primeiro alvo de artilharia da crítica refinada. Sendo simples, são pobres. Sendo elaboradas, são cafonas.
Nessa memória de quem relembra pouco os fatos, a Martin Claret parece ser a primeira grande publicadora de pockets, já com uma vasta leva de textos na coleção. E aí entram outros senões... mais perigosos que os apurados dissabores visuais e táteis das capas bregas.  A gravidade se estende quando não apenas a capa é feia, mas o texto é ruim ou é fruto de plágio.
Digitado no Google “Martin Claret Plágio”, 38.100 resultados apareceram. Inclusive uma matéria de 2012 informando a possibilidade de a editora sair do Cadastro Nacional de Livros.
Entre o vários links desabilitados, alguns vários blogs relatam inúmeras reclamações acerca das traduções errôneas, equivocadas e ilegais de tantas obras. Quantidades suficientes para retirar qualquer crédito de vantagem que a aquisição dos livros de bolso da MC possa vir a trazer.
Apesar dos problemas editorias, não se lê informações sobre a diminuição na venda desses “beneditinos” pockets. Ao contrário, a estabilidade se faz notória no crescente número de obras da coleção que se serve paralelamente à publicação de novos de selos que se consolidam no mercado de bolso. As estatísticas? Notam-se pela quantidade de livretos nas estantes das livrarias, de bancas de revistas e nas listas de materiais escolares.

De fato, traduções surgidas de um trabalho mesquinho geram sérios tormentos a leitores de qualquer espécie. Sentidos dúbios, estranhos vocábulos, sintaxe mal empregada, ausências de notas explicativas e outros afins ademais... percebidos ou não, há prejuízo na leitura.
De qualquer forma, considerados os textos brasileiros, não se vê tanto problema no consumo dos livros em questão, visto que o problema da tradução, pelo menos, não é um obstáculo. Assim, apenas avançar as páginas sem ilustrações e com pouco espaçamento entre as linhas seria o maior dos sofrimentos para os leitores que ainda se arriscariam no consumo barato e prático das capas horrendas...
Todavia, eis que surgem as edições revisadas de acordo com a nova ortografia vigente... e para o deleite dos estetas, capas beeeem mais bonitas. Fugidias do padrão rosa ocre fosco, as novas capas abandonam  seja lá o que a ironia da cor permitir...
Nova roupagem aprovada!


   

 

  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Arte: livros-objetos e livros-imagem

Acho que é de conhecimento de todos que o mercado editorial está direcionado a divertir as crianças com livros-objetos... barulhentos, coloridos, permeáveis, desmontáveis... um monte de treco! sim, livros-trecos que depois de uma semana se entulham, quebram... e histórias pouco contam.

Mas eis que, por outro lado, os livros infantis tem maior pré-disposição a se tornarem objetos de arte. É inegável!  O mundo da literatura para crianças também comprova que nem tudo na vida, relacionado ao prazer, deve estar atrelado à diversão...

Imagens saltam das páginas em delicadas dobraduras de papel, com sofisticada "tecnologia" 3d. Saindo da linha livro-brinquedo, as dimensões em papel fazem parte do mundo da literatura infantil com ilustrações originais e extremamente belas, com imagens móveis surgidas literalmente das páginas de um livro.

É o exemplo da adaptação em quadrinhos em versão pop up de Moby Dick, publicada pela Publifolha. Sem questionar o valor literário da edição, podemos dizer que este livro é sim um objeto de arte.


Outros exemplos também encontramos em livros que nos permitem manipular a história, fazendo-nos intergir com as mãos, como nos livros de Janet e Allan Ahlberg, lançados pela Cia das Letrinhas, "O Carteiro Chegou" e "O Natal do Carteiro". Encontrei na internet um blog (veja aqui) com um relato bem legal sobre a experiência de leitura desse último livro. Tirei de lá essas imagens:

 

E não é apenas a experiência manual de leitura que identifica a verdadeira preocupação com a estética do livro-objeto. O design gráfico dos livros, o tipo de papel, a costura, tudo tende a ser mais elegante nas melhores edições de livros infantis... Casos em que a história é pouco interessante perto das ilustrações. Ilustrações que, se por um lado limitam o exercício da imaginação, por outro são um aprazível encanto visual de cores e traçados, verdadeiros "quadros" e pinturas de arte, dignos de serem emoldurados...

Minha última descoberta, quero dizer "a preferida", foi a ilustradora Suzy Lee (veja a trilogia sem palavras: "Onda", "Espelho", "Sombra" aqui)... uma sul-coreana cujos desenhos são fascinantes e constroem uma narrativa poética que nos permite experimentar o livro como imagem, puramente... num lirismo que (con)figura a simplicidade e a riqueza num jogo de cores e sentidos, num contraponto entre as páginas da esquerda e da direita e também entre nós leitores (leitores?) e a menina-personagem que nos encanta.
É apaixonante!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobre uma frase do Marcelo Camelo

Quando começo a ler um livro sempre tenho planos de resenhá-lo, destacar os trechos mais interessantes e pontuar as qualidades do texto. Planos... Assim como os planos de publicar as tais resenhas - com freqüência! - no blog. Ler mais, produzir mais, ser mais... e, vejam só, acabo sempre por escrever de um inesperado impulso, sem muita organização. E nada sobre o que eu tinha planejado.
Impressionante como isso “funciona”. 

Uma coisa lembra a outra. Um assunto leva a outro.

Lembrei nesse instante da minha última conversa por telefone com o Cauby. Citei uma frase do Marcelo Camelo, concedida ao GLOBO: “fazer arte é exercitar aquilo em nós que apreende informação mais até do que aquilo em nós que cria informação”. Clap, clap! Concordarmos, Cauby e eu.

Conceber algo é difícil. Criar, criar, criar. Todo artista parece querer ser um Deus. Ou se não quer, isso lhe parece ser exigido... E disso, já falei em texto anterior sobre a exigência de “originalidade” artística. (ler aqui)

Pois bem, penso que: de qualquer coisa que se faça nesse mundo, sobretudo quando se trata de arte, o resultado nasce de um processo que deve pertencer ao "fazedor" há algum tempo. No caso dos artistas, há sempre algo ruminando à espera de uma digestão intuitiva... não foi de um dia para outro que Liniers criou Macanudo, ou que Vicente Cecim criou Andara. As histórias podem ter surgido de um dia para o outro, expressas. Mas antes, por um tempo indeterminado, foram idéias disformes...

Para chegar em fim à “criação”, é preciso apreender, capturar, observar, registrar, transformar... figurar...  imaginar... recriar... e tantos outros verbos que possibilitem a liberdade sobre o fazer às coisas...
Fazer às coisas! Sim! Como disse Marcelo Camelo, o artista apreende... e depois devolve ao mundo, numa espécie de contribuição... como se dissesse: “foi assim que eu vi, que eu interpretei... senti... vivi...”.

As palavras poéticas também são uma forma de desvelar o mundo (seja o mundo criado, ou recriado).
   
-

Termino esse texto um pouco frustrada. Há algo ruminando em mim, algo que quero dizer mas que ainda não encontrei nas palavras... como não se trata de arte, digo que estou a espera de uma digestão conceitual, rs. 
Talvez os comentários me ajudem. 
Melhor publicar um pensamento pela metade, do que não publicar nenhum... caso contrário, todos os meus pensamentos se perderiam.

sábado, 16 de abril de 2011

Últimas

Quanto tempo se passou! Um mês? É.

Hoje não vou escrever sobre nada muito específico, quero somente atualizar o blog para que ele não fique às moscas e comentar também sobre algumas das minhas últimas leituras que, graças!, foram variadas, rápidas e proveitosas.

Li dois dos três volumes do Scott Pilgrim, após assistir ao filme (trailer). Normalmente indico essa prática em relação a adaptações literárias: primeiro assistir ao filme. Mas, nesse caso, não acho que vá fazer muita diferença. Na maioria dos casos há grandes reclamações na mudança da linguagem, ou no roteiro que cinematograficamente é “reduzido”. Eu, ao contrário, preferi a versão fílmica. Como disse o Mateus, o diretor conseguiu misturar Tv, Quadrinho, Videogame e Cinema. Sensacional!
O início é muito empolgante, mas do meio pro final fica um pouco cansativo. Concordo com a critica da Cinética, é chato assistir uma partida de videogame sem poder participar, rs. Mas na minha opinião isso nem compromete tanto assim...

Terminei o Raduan Nassar. Li "Um Copo de Cólera" e "Menina a Caminho". Fico na dúvida na hora de escolher minha obra preferida do autor, mas sei que não será "Menina a Caminho". Apesar de só ter publicado três livros, considero Raduan um prosador completo: escreveu romance, novela e conto. Todos sensacionais. Quero reler Lavoura Arcaica e fazer um contra-ponto com o filme, mas isso vai demorar um pouco...

Por enquanto estou na metade do “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” do Marçal Aquino - livro também adaptado para o cinema, pelo diretor Beto Brant. Fora isso, estou me empolgando com as programações gratuitas e a mostra de clássicos Lume Filmes do CCBB. Apesar das alterações sem aviso na programação, consegui ver Alice (youtube), do Chabrol e Anjo Embriagado, do Kurosawa.




Sylvia Kristel em Alice, de Claude Chabrol

Para quem não sabe, desde o dia 11 do 04 estou morando oficialmente e temporariamente no Rio, enquanto durar minha especialização na UFF (uff, passei! rs).

E por último e não menos importante: poesia! Li o "A teus pés" da Ana Cristina César (leia um poema aqui) e o "Trans" , do poeta paraense Age de Carvalho (meu preferido!) - livro que ganhei de presente dos meus tios João Jorge e Diana. 

É minha gente, esse é um texto que escrevo orgulhosa, meio abestalhada e cheia de gabação... mas é que a caboquinha saiu de Belémzinha e chegou na cidade grande com ganância de ler, ver e saber o mundo.

Abraços.


O QUE não quer
dizer nada –

o que
por si
só
já seria
o em-si do assunto

enquanto lavas
teu prato
e vês sentido
nisso.

Age de Carvalho