sexta-feira, 27 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Minha vida em livros
Com base nos livros que tenho aqui nessa casa, respondo a "tag" Sua vida em Livros.
1) Um livro para cada uma das minhas iniciais:
M - A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo
B - A Branca voz da solidão, Emily Dickson
H - História do olho, do George Bataille
G - Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa
2) Conte sua idade pelos livros de sua estante: qual é o livro?
Tenho 23 anos. Contando de cima pra baixo, o 23º é o livro infantil O gato e o Diabo, do James Joyce.
ERRATA: Tenho 24. Hahaha, sim, eu não sei quantos anos eu tenho. E olha que estou mais perto dos 25, do que dos 23. Mas vou manter a resposta.. e informar que o próximo livro seria A Grande Questão, do Wolf Erlbruch. Grata! (atualizado em 25/9)
3) Encontre um livro ambientado em sua cidade/estado/ país
Em Niteroi ou em Belém? RJ ou PA? Escolhi o Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, do Marçal Aquino. Porque as gravações do filme homônimo são em Santarém/PA e no Rio de Janeiro/RJ.
4) Escolha um livro que se passe em um lugar que gostaria de conhecer
Nove Noites, do Bernardo Carvalho. Esse livro me impulsiona a conhecer o Xingu, e outros lugares também. Fazer uma viagem em busca de alteridade.
Não tenho uma cor favorita, mas estou na fase do amarelo, então escolho o Crítica, Teoria e Literatura Infantil, do Peter Hunt.
6) Que livro te traz boas lembranças?
Não consegui escolher só um (sou libriana, e me sinto orgulhosa por ter omitido outras 2 opções, significa um crescimento pessoal em relação a essa questão sobre "decisão", rs). Então, cada opção se refere a uma fase da vida, pronto.
Macanudo, do Liniers, Amendoim, da Eva Furnari (meu preferido na infância, readquirido depois de grande), e Hitchcock, catálogo com a coletânea de textos da mostra sobre o cineasta no CCBB.
7) Qual livro você teve mais dificuldade em terminar?
Em 2010, eu acho, li o Ser e Verdade, do Heidegger ... e, por vários motivos, mas todos muito óbvios, sofri .
8) Que livro ainda não lido lhe trará a maior sensação de "missão cumprida"?
Anna Karenina, do Tolstoi, que comecei duas vezes e não terminei. Estou há uns 5 anos nessa lenga lenga. Gosto desse livro, mas ele exige dedicação. E eu sou muito efêmera...
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Brigadeiro !
Foi descoberta a
receita de brigadeiro mais sensacional e mais simples de todos os tempos,
hahaha. Ao invés de usar a "tradicional" receita que exige o leite condensado "Moça", da Nestlé,
experimente outras marcas cuja textura do produto seja menos densa. Normalmente
o leite condensado das embalagens em caixa são mais líquidos e tecnicamente
isso deve fazer alguma diferença no "cozimento".
Na minha opinião
faz sim. O processo todo demora um pouco mais, no entanto o doce gruda menos na
panela se você não tiver preguiça de misturar. E fica até mais fácil de mexer
sem parar, já que não embolota logo. E assim que o doce fica mais espesso, já é
hora de desligar o fogo.
Ok, vamos para os
ingrediente e instrumentos de uso.
Eu já tinha usado
todas as marcas como teste, todas as quantidades possíveis de achocolatados e
chocolates em pó (sim, tem diferença!), tentei inclusive adicionar ingredientes
extras, mas essa receita venceu, por dois motivos: custo-benefício e beleza, rs.
1 caixa de leite
condensado Itambé
1 colher com
margarina Qualy
5 colheres "de
sopa" (ou 7 colheres rasa) com achocolatado Toddy
1 panela média (não
precisa ser daquele material antiderrapante)
1 espátula de
silicone
Modo de preparo:
Aqueça a panela,
coloque a margarina e deixe derreter. Adicione a caixa de leite condensado e
misture, em fogo médio. Logo em seguida, acrescente o achocolatado e não pare de misturar.
Magicamente nada gruda em nenhuma superfície enquanto você mistura com espátula
de silicone. Viu? Não tem muito
mistério... e ficou assim:
Outras informações
extras:
1) Se desejar
granulado, sugiro um de chocolate meeeesmo, tipo esse que usei. Aqueles
granulados de pacotinho de supermercado salvam, mas não deixam o mesmo sabor
pois são muito açucarados. Ou use raspas de
chocolate!!! {usar chocolate em pó, ao invés de achocolatado também deixa mais saboroso, mas dependendo da marca o produto é o dobro do preço}
2) Com essa receita você consegue fazer o formato de brigadeiro em bolinhas. Se
quiser atingir aquela textura cremosa de "brigadeiro de colher", acrescente duas colheres "de sopa" (ou uma colher bem cheia) de creme de leite sem soro. O doce fica com textura mais leve e o saber mais suave.
{depois de pronto,
eu dividi em duas porções e em uma delas acrescentei o creme de leite que já
estava aberto na geladeira, por isso com uma consistência
mais cremosa... ficou supimpa! }
Outros livros sobre o docinho brasileiro:
- Brigadeiros e Bolinhas, de Marcia Zoladz, pela Ed. Publifolha.
- Brigadeiro Gourmet, pela Ed. Lafonte
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domingo, 1 de setembro de 2013
Bienal do livro 2013, Rio de Janeiro
Hoje fui ao evento que acontece no Rio Centro, ou seja: far far away... Apesar do nome "centro", o lugar fica bem distante, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo a Barra da Tijuca e não do centro da cidade, rs.
Mas, tudo bem, porque sendo um evento de grande porte, é necessária uma infraestrutura capaz de receber a quantidade de frequentadores esperada e também o investimento das editoras de livros, com seus estandes monstruosamente imensos.
Sinceramente, assim que entrei desanimei total. O evento mais parece uma feira de supermercado da Zona Sul, em que os produtos estão com descontos, mas acabam saindo pelo preço normal e, ainda assim, caro. Caro também era o lanche. O combo pastel mais refrigerante = R$10 {chorei de fome? não! comprei um copão de pão de queijo por R$7, que era a única coisa que valia a pena, e a moça simpática ainda me deu dois a mais}.
Além do fator finaceiro, as programações mais importantes estão direcionadas à venda de Best Sellers. Na verdade, o evento como um todo... Acho que vi um estande de um sebo, apenas. {chato isso, né? } Não vi nada sobre o incentivo à leitura, ou debates sobre literatura... vi um grande mercado livresco e programações ao estilo talkshow.
Bem, talvez eu é que estivesse no ligar errado, criando expectativas erradas sobre um evento voltado para LIVROS... porque muita gente, mas muuuuuita gente se aglomerou em filas para ENTRAR nos estandes das editoras mais "importantes". Além da fila na entrada, havia a não óbvia fila para pagar. Ou seja: fila pra entrar no evento, para ver os livros, para pagar os livros... um evento sobre filas, minha gente. E teve pessoal que saiu contente... eu não.
Por outro lado, fuçando um pouco ali e acolá, achei o lugarzinho da Ática e da Scipione, com livros por R$5,50 (sem muita variedade) e desconto acumulativo (que não me interessou muito). Saí de lá com cinco livrinhos que pareciam estocados há muito tempo {dois do Sabino, um do Loyola Brandão, um do Inglês de Sousa e uma antologia de poesia contemporânea} e menos R$27,50 na conta. Nada muito extraordinário! Mas foi possível esse milagre financeiro na Bienal.
O estranho é que, mesmo dividindo o mesmo espaço e prestando o mesmo serviço, na hora de pagar, não pude comprar todos os produtos juntos. Emitiram uma nota para os livros da Ática e outra para os da Scipione. Nada a ver...
Bom, apesar da exaustão, o dia conseguiu ser agradável, porque as companhias eram boas e fizeram as mesmas reclamações que eu, rs.
Serviço:
De 29 de agosto a 08 de setembro (verifique os horários)
A entrada está no valor de R$14,00, com direito a meia entrada para estudantes, menores de 21 anos (se não estou enganada), portadores de necessidades especiais e pessoas com mais de 60. Quem tem credencial, pode entrar de graça. Mas de modo geral, o evento é pra quem tem algum dinheiro...
Siga no instagram: @bienaldolivro
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terça-feira, 27 de agosto de 2013
Beatles'n'Choro
Segue o link com o volume 1
O interessante desse projeto, é que consegue resgatar a música em si mesma, sem valorizar as letras das canções ou a voz dos Beatles. O arranjo fica bem brasileiro, sem perder a referência. É uma bela transposição. O repertório é a coisa mais linda e tocante. Até mesmo para os não tão fãs da banda de Liverpool.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
1000 quadros, narrativa coletiva
Rafael Sica 'tá com um novo projeto, junto com Rafael Coutinho. Foram 24h construindo uma narrativa em quadrinhos, 1000 quadrinhos!
A história não tem linearidade. A proposta é justamente essa. Cada quadro está à venda por r$10 no site da Narval e, conforme as compras, os quadros são divulgados e é então que se define a ordem da narrativa.
Bem legal, né?
{ Como 'tá ficando essa história coletiva?}
Para conhecer mais sobre o trabalho do Rafael Sica, sugiro uma fuçada no blog dele. Foi daí que ele publicou o livro "Ordinário", depois de lançar os quadrinhos na internet. { http://rafaelsica.zip.net/ }
Ele tem um livro novo, "Tobogã", recém lançado e por mim ainda não lido.
Gosto bastante dos desenhos dele: meio nonsense, tem uma atmosfera sobre o fantástico e com um lado poético voltado paro o urbano... além disso, ele não trabalha com texto verbal.
Já o Rafael Coutinho é filho do Laerte e co-autor de "Cachalote", livro assinado também pelo Daniel Galera.
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Autógrafos do Ferreira Gullar
Ferreira Gullar esteve semana passada [01/08] na Livraria da Travessa para um bate-papo no auditório. O evento foi motivado por conta do último lançamento do poeta, o livro "A menina Claudia e o Rinoceronte", publicado pela Ed. José Olympio.
Os motivos que me levam a escrever esse texto são dois: primeiro, o fato e o registro de ter conseguido autografar meu livros {YEAH} ! Segundo, comentar a respeito das perguntas incabíveis direcionadas ao autor...
Gullar é extremamente crítico. Não só crítico de arte, mas do mundo. Ok, isto até justifica a curiosidade exagerada sobre a opinião do autor... Mas também não quer dizer que ele tenha que responder sobre política num evento sobre seu mais novo livro, voltado para o público infantil.
Na ocasião, criou-se um outro contexto exatamente assim: "Gullar, e a comissão da verdade?"; "Gullar, o que você acha das manifestações?".
Eu não tive muitas oportunidades de me encontrar com escritores. Obviamente, gostaria de saber o que pensam sobre o mundo. Mas sou contra desvirtuar um evento sobre determinado livro, determinado autor, para focar em assuntos extraliterários, para acessar um discurso de alguém de maior "categoria" e tomar, talvez, para si, esse discurso. Poderiam ter perguntando tanta coisa, tanta sobre literatura...
Ferreira Gullar é desses poetas cheio de vertentes. Ele já escreveu de tudo sobre tudo. E tem uma grandeza tal qual Drummond, e melhor: ainda está vivo. Por que não se aproveitar disso? De fazer uma revisão sobre seus poemas antigos, já que seus livros estão sendo reeditados... Por que não comentar sobre essa ilustre capacidade que esse escritor tem de circular pela crônica poética, pela crônica de jornal, pela arte da colagem, etc, etc, etc.
De lembrança ligeira para esse texto, três poemas surgem, três poemas diferentes que eu gostaria de compartilhar com vocês e que mexeram comigo muito mais na releitura deles, em outras fases da minha vida, do que quando no primeiro contato:
O primeiro poema escolhido, conheci na escola, mas só na faculdade, ou dando aulas, compreendi que ele pode ser um dos principais emblemas do que projetava a poesia moderna brasileira. Antes, eu achava engraçada a dicção do eu-lírico que não fazia metáforas... Hoje ele me transparece, por além do questionamento sobre a função da poesia para a sociedade, como uma forma de entender o próprio fazer poético de Gullar, que se "espanta" (como ele mesmo diz) com coisas cotidianas e talvez óbvias.
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
O segundo poema escolhido, li também quando era bem mais nova... e continua representando bem a minha vontade de traduzir quem sou - meio barroca, meio indecisa (será? rs), meio a meio por inteira... o poema, não por menos, é intitulado "Traduzir-se" e até hoje quando o leio, sinto a mesma sensação "essa sou eu, sou eu, sou eeeeu"... e o fato de sentir que esse poema é meu, que é para mim, mesmo depois de tanto tempo, também faz essa releitura muito significativa.
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Por fim, fecho com o poema "Ao rés do chão", pois quando voltei ao livro "Na vertigem do dia", abri nessa página e me lembrou a viagem que fiz para Buenos Aires, os motivos que me levaram até lá... e, principalmente, há uma identificação por minha parte com esse sentimento de estar "fora do ângulo como um objeto que respira" (sentimento permanente) e esse verso {em negrito e sublinhado} que eu tatuaria em mim por significar qualquer coisa e todas as coisas, e essa coisa em mim, esse universo.
Sobre a cômoda em Buenos Aires
o espelho reflete o vidro de água de colônia
Avant la Fête (antes,
muito antes da festa), reflete
o vidro de Supradyn, um tubo
de esparadrapo,
a parede em frente, uma parte do teto.
Não me reflete a mim
deitado fora do ângulo como um objeto que respira.
Os barulhos da rua
não penetram este universo de coisas silenciosas.
Nos quartos vazios
na sala vazia na cozinha
vazia
os objetos (que não se amam),
uns de costas para os outros.
Gullar é extremamente crítico. Não só crítico de arte, mas do mundo. Ok, isto até justifica a curiosidade exagerada sobre a opinião do autor... Mas também não quer dizer que ele tenha que responder sobre política num evento sobre seu mais novo livro, voltado para o público infantil.
Na ocasião, criou-se um outro contexto exatamente assim: "Gullar, e a comissão da verdade?"; "Gullar, o que você acha das manifestações?".
Eu não tive muitas oportunidades de me encontrar com escritores. Obviamente, gostaria de saber o que pensam sobre o mundo. Mas sou contra desvirtuar um evento sobre determinado livro, determinado autor, para focar em assuntos extraliterários, para acessar um discurso de alguém de maior "categoria" e tomar, talvez, para si, esse discurso. Poderiam ter perguntando tanta coisa, tanta sobre literatura...
Ferreira Gullar é desses poetas cheio de vertentes. Ele já escreveu de tudo sobre tudo. E tem uma grandeza tal qual Drummond, e melhor: ainda está vivo. Por que não se aproveitar disso? De fazer uma revisão sobre seus poemas antigos, já que seus livros estão sendo reeditados... Por que não comentar sobre essa ilustre capacidade que esse escritor tem de circular pela crônica poética, pela crônica de jornal, pela arte da colagem, etc, etc, etc.
De lembrança ligeira para esse texto, três poemas surgem, três poemas diferentes que eu gostaria de compartilhar com vocês e que mexeram comigo muito mais na releitura deles, em outras fases da minha vida, do que quando no primeiro contato:
O primeiro poema escolhido, conheci na escola, mas só na faculdade, ou dando aulas, compreendi que ele pode ser um dos principais emblemas do que projetava a poesia moderna brasileira. Antes, eu achava engraçada a dicção do eu-lírico que não fazia metáforas... Hoje ele me transparece, por além do questionamento sobre a função da poesia para a sociedade, como uma forma de entender o próprio fazer poético de Gullar, que se "espanta" (como ele mesmo diz) com coisas cotidianas e talvez óbvias.
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
O segundo poema escolhido, li também quando era bem mais nova... e continua representando bem a minha vontade de traduzir quem sou - meio barroca, meio indecisa (será? rs), meio a meio por inteira... o poema, não por menos, é intitulado "Traduzir-se" e até hoje quando o leio, sinto a mesma sensação "essa sou eu, sou eu, sou eeeeu"... e o fato de sentir que esse poema é meu, que é para mim, mesmo depois de tanto tempo, também faz essa releitura muito significativa.
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Por fim, fecho com o poema "Ao rés do chão", pois quando voltei ao livro "Na vertigem do dia", abri nessa página e me lembrou a viagem que fiz para Buenos Aires, os motivos que me levaram até lá... e, principalmente, há uma identificação por minha parte com esse sentimento de estar "fora do ângulo como um objeto que respira" (sentimento permanente) e esse verso {em negrito e sublinhado} que eu tatuaria em mim por significar qualquer coisa e todas as coisas, e essa coisa em mim, esse universo.
Sobre a cômoda em Buenos Aires
o espelho reflete o vidro de água de colônia
Avant la Fête (antes,
muito antes da festa), reflete
o vidro de Supradyn, um tubo
de esparadrapo,
a parede em frente, uma parte do teto.
Não me reflete a mim
deitado fora do ângulo como um objeto que respira.
Os barulhos da rua
não penetram este universo de coisas silenciosas.
Nos quartos vazios
na sala vazia na cozinha
vazia
os objetos (que não se amam),
uns de costas para os outros.
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