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sábado, 1 de junho de 2013

Revista Crescer

Aproveitando o ensejo do texto anterior, quero linkar a seguinte dica para as pessoas que se interessam por livros infantis.

Há oito benditos anos, a Revista Crescer, da Editora Globo, seleciona 30 livros bacanas, que se destacam pela qualidade do texto escrito, pelas ilustrações e também pelo conteúdo que abordam. A ideia é contribuir para que os educadores / pais / responsáveis possam se orientar sobre uma a leitura mais adequada aos alunos / filhos. E também contribuir para o bel'prazer dos curiosos / livreiros que, como eu, torcem e ficam felizes quando aquele autor que você devota paixão é prestigiado.

Já que o mundo é "democrático", eu mesma não concordo sempre com a escolha de todos os livros. Mas acho interessantíssima a proposta, pois, apesar do caráter classificatório, a revista objetiva nos trazer os bons e mais amigos livros, dentre tantos lançamentos e possibilidades de leituras. Esse ano, vou te contar! Muitos claps, claps. Eu praticamente não fiz ressalvas a quase nenhum livro escolhido. E também não vi nenhuma grande injustiça na ausência de outros...

"Entre Nuvens", com o selo FNLIJ (assunto futuro, aqui no blog)
Abre um parêntese: lembrando uma coisinha que comentei aqui no início, o "ensejo" mencionado 'tá relacionado ao fato de que o André Neves está nessa listinha super especial, com TRÊS títulos: Entre Nuvens, pela BrinqueBook !!! Malvina, pela Editora DCL. !!! e TOM, da Ed. Projeto [veja meu texto anterior].

AEEEEEEEEE !!!
Fecha parênteses!

Da listinha de 2013, destaco primeiro duas edições de livros já "clássicos" para a turma dos pequenos. Lançado em '64, Ou isto ou aquilo 'tá de cara nova. Depois de um tempinho fora de catálogo, a Editora Global traz os cinquenta poemas da Cecília Meireles em capa dura, com design horizontal ('tá maior!) e com ilustrações do Odilon Moraes, que também é o responsável pela nova roupagem de A vida íntima de Laura (1974), publicada pela Rocco. Só coisa linda, gente. Duas queridas, Cecília e Clarice Lispector, sendo reeditadas. O mais bacana dessa edições é que, além de super bonitas na simplicidade, o novo formato do livro permite um abraço mais gostoso dos pequenos. As antigas edições tinham aquele padrão mais ou menos 16 x 23.
[novo formato: 24,5 x 24,5]
[ novo formato: 21 x 28 ]
Outro livro que não posso deixar de mencionar é Os Fantásticos Livros Voadores de Modesto Máximo,  porque além da história ser linda, o tema está relacionado a livros, leitura e clássicos, sua publicação tem origem nesse curta de animação (super premiado!!!), que eu disponibilizo aqui embaixo... 
Importante ressaltar: trata-se de uma adaptação transgredindo a lógica do mercado (de que livros tornam-se filmes e não o inverso).

 
Trecho da sinopse do livro de William Joyce no site da Rocco : 
O solitário Modesto Máximo está na varanda escrevendo suas memórias. Vem um furacão. Ele perde tudo, menos as memórias. No furacão, uma moça voadora joga um livro sobre ele. Esse livro guia Modesto Máximo até uma biblioteca. Ele se torna dono da biblioteca. Cuida dos livros. Vai escrevendo o seu. Quando termina de escrever suas memórias, ele também adquire a capacidade de voar. Sai voando. Nesse momento, chega uma menininha. O livro de Modesto Máximo acaba no colo da menininha. Vai começar tudo de novo.
Pretendo fazer um texto especial para alguns livros. Por ora, restam alguns breves comentários sobre estes três.
Enfim, vale a pena dar uma fuçada no site da revista. As resenhas estão super de acordo e eles divulgam, inclusive, os preços dos livros e também uma sugestão de faixa-etária. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Gosto dos livros que me causam uma poética perturbação visual e narrativa.

Hoje em dia, nesse mundo em que palavra se tornou imagem, figura, ou qualquer termo que a aproxime de uma materialidade plástica, acredito ser impossível manter-se apenas no prazer estético de uma linguagem, uma que não acompanhe o hibridismo puro do mundo atual. Por esse motivo, sempre devoto paixão pelos livros de "autores completos", autores-ilustradores-escritores-de-design. Nessa minha "categoria", listo Shaun Tan, André Neves, Eva Furnari, Wolf Erlbruch, Sempè.

Dois livros, recém lançados, causaram-me essa sensação de palavra desenhada em imagem verbalizada, sabem? Dois livros extramente sensíveis, de uma sensibilidade natural à leitura feita pelos autores sobre os temas abordados e expressiva à maneira como eles se comunicaram conosco, leitores.

[ sinopse da editora]
[ sinopse da editora]
  

O primeiro livro narra a história de um garotinho que enxergava pessoas "invisíveis", pessoas que nós nos acostumamos (ou preferimos) não ver: mendigos, garis, trabalhadores de ruas, etc. Esse super poder do garoto manifesta a cegueira social que nos atinge, e que apaga dos nossos horizontes esses seres marginalizados. A invisibilidade que os cerca é naturalizada conforme o garoto amadurece, demonstrando um comportamento proprio do ser humano. A cegueira não está simplesmente relacionada à fase adulta, mas sim à ideia de como nos moldamos a certos comportamentos, como perdemos a sensibilidade e a percepção para determinados assuntos conforme nos fechamos ao mundo, esse mundo adulto, cego, domesticado, de estéril curiosidade sobre o que nos cerca. A criança, essa com super poderes, tem nos raios laranjas a capacidade de iluminar aqueles que estão apagados de nós.
A ilustração de Renato Moriconi, traz em sua simplicidade e minimalismo, a força da questão temática, trazendo a realidade para o texto poético, emergindo da fantasia o senso critico do leitor.

André Neves, autor do segundo livro, atinge no seu traço a fineza e delicadeza da história de um menino, Tom, que vive no silêncio, incompreendido por todos, vivente da própria solidão de seus pensamentos. O narrador dessa historia é seu irmão, que se pergunta a todo momento o porquê de Tom não se comover ou exprimir o que sente.
Sem uma forte estrutura de enredo de ações, André Neves enlaça as linhas da história demonstrando a comunicabilidade descoberta fraternalmente entre o mundo desses dois personagens (Tom é autista), numa tristeza bonita e desenhada pelas margens da nossa compreensão. Um livro de pura poesia, poesia de verbos livres. 

A beleza desses livros, principalmente em Tom, que possui "autoria completa", está nessa leveza entre a fantasia e a realidade, a abstração e o factual, em que vida e história possuem uma mesma perspectiva poética, vida como mundo concreto, e história como mundo ficcionalizado.

Possibilidades de linguagem, de dizeres, de profundidades e de ser simples. Sem dissociar texto escrito do texto imagem, como se fossem um só texto, pois são: um livro, cada um.